Paciente feminina, de 52 anos, casada e mãe de 2 filhas, trabalhadora em uma fábrica de calçados, veio à consulta de rotina. Sem queixas, referiu realizar pouca atividade física e negou tabagismo. Em sua história familiar, constavam cardiopatia isquêmica (pai falecido aos 65 anos por infarto agudo do miocárdio) e neoplasia de pulmão (mãe falecida aos 49 anos). Relatou sentir medo de ter câncer, razão pela qual gostaria de submeter-se a exames pulmonares. O exame físico foi normal, com aferição da pressão arterial (130/76 mmHg), e foi realizada coleta de material para Papanicolaou. Exames complementares (glicemia, perfil lipídico, mamografia) foram solicitados. Recebeu orientações sobre a prática de atividade física e sobre a não necessidade de realizar tomografia de tórax (TC), por não haver evidências para tal indicação. Com base no quadro, associe os níveis de prevenção (coluna da esquerda) às condutas apresentadas (coluna da direita).
1 - Primordial
2 - Primária
3 - Secundária
4 - Terciária
5 - Quaternária
( ) Aferir a pressão arterial.
( ) Solicitar a mamografia.
( ) Não solicitar a TC de tórax.
Pegadinha central: rastreamento é prevenção secundária, mesmo quando o que se procura é um fator de risco como hipertensão.
Primária evita doença; secundária detecta cedo; terciária reduz sequelas; quaternária evita excesso de medicina.
Não pedir um exame sem benefício comprovado pode ser uma intervenção médica ativa de proteção ao paciente.
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Contexto
Os níveis de prevenção são definidos pelo momento em relação ao aparecimento da doença e pelo objetivo da intervenção. Prevenção secundária busca detectar doença ou condição de risco em fase assintomática por rastreamento e diagnóstico precoce. Prevenção quaternária procura proteger a pessoa de intervenções desnecessárias, sobrediagnóstico, medicalização excessiva e iatrogenia.
Aferir pressão arterial em uma mulher assintomática é rastreamento para hipertensão e, portanto, prevenção secundária. A mamografia solicitada para detecção precoce de câncer de mama também é secundária. A recusa fundamentada de uma tomografia de tórax sem indicação em não fumante assintomática é exemplo clássico de prevenção quaternária. A sequência é 3, 3, 5.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Aferir pressão não é prevenção primordial e mamografia de rastreamento não é prevenção primária. Ambas procuram detectar precocemente alterações já presentes, ainda sem sintomas.
B) Incorreta. Aferição de pressão é prevenção secundária, não primária. Além disso, evitar uma tomografia desnecessária corresponde à prevenção quaternária, e não terciária.
C) Correta (gabarito). Pressão arterial e mamografia são ações de rastreamento, logo prevenção secundária; evitar TC de tórax sem indicação protege contra sobrediagnóstico, radiação, achados incidentais e cascatas diagnósticas, caracterizando prevenção quaternária.
D) Incorreta. Prevenção terciária pressupõe doença estabelecida com objetivo de reduzir sequelas ou incapacidade, situação ausente nos dois primeiros itens.