Paciente foi encaminhado à Emergência por suspeita de oclusão arterial aguda em membro inferior.
Pegadinha central: cianose não fixa ainda pode acompanhar membro salvável; moteado ou cianose fixa aponta para dano irreversível.
Os achados que mais mudam urgência são déficit sensitivo e, sobretudo, déficit motor, porque indicam membro ameaçado.
Edema lembra sistema venoso; palidez, frialdade e perda de pulso lembram sistema arterial.
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Contexto
A isquemia aguda de membro é redução súbita da perfusão arterial que ameaça a viabilidade do membro. O exame clássico procura os chamados 6 Ps: dor, palidez, ausência de pulso, parestesia, paralisia e poiquilotermia. A evolução da cor também informa gravidade: o membro pode começar pálido e, com a piora da estase capilar, desenvolver mosqueamento ou cianose.
O ponto discriminador desta questão é a diferença entre cianose não fixa e alteração cutânea fixa. A cianose ou o moteado que ainda desaparece à pressão pode ocorrer em isquemia aguda potencialmente reversível. Já moteado escuro fixo, associado a anestesia profunda e rigidez ou paralisia, sugere isquemia irreversível e necrose. A Diretriz ACC/AHA de Doença Arterial Periférica de 2024 trata a isquemia aguda como emergência vascular que exige avaliação imediata de viabilidade e revascularização quando o membro é salvável.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Edema de panturrilha e pé é muito mais característico de obstrução venosa, inflamação ou congestão. Na isquemia arterial aguda predominam frialdade, palidez, déficit de pulso e alterações neurológicas.
B) Incorreta. Rubor limitado aos pododáctilos não é o padrão típico de uma oclusão arterial aguda. Rubor dependente é mais lembrado na doença arterial crônica avançada, após colocar o membro em posição pendente.
C) Correta (gabarito). Cianose não fixa dos pododáctilos associada a palidez do restante do pé traduz hipoperfusão arterial com estase distal e é compatível com isquemia aguda ainda potencialmente reversível.
D) Incorreta. Presença de pulsos tibial posterior e tibial anterior torna improvável uma oclusão arterial aguda proximal relevante. A ausência isolada do pulso pedioso pode ocorrer por variação anatômica, dificuldade técnica de palpação ou doença distal prévia e, isoladamente, não confirma isquemia aguda.