Pegadinha central: em fratura de costela, analgesia não é conforto apenas; ela é prevenção de complicação respiratória.
Idoso mais múltiplas costelas fraturadas é combinação de alto risco para pneumonia, insuficiência respiratória e mortalidade.
Pneumotórax traumático não é automaticamente dreno nem automaticamente observação; a decisão depende do contexto clínico.
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Contexto
A principal ameaça das fraturas costais não é o osso em si, mas o efeito da dor sobre a ventilação. O paciente respira superficialmente, evita tossir, retém secreções e desenvolve atelectasia, criando terreno para pneumonia. O risco de complicações pulmonares aumenta com maior número de costelas fraturadas, maior deslocamento das fraturas, idade avançada e menor reserva cardiopulmonar.
As Best Practices Guidelines for the Management of Chest Wall Injuries do American College of Surgeons, publicadas em 2025, reforçam abordagem ativa com analgesia multimodal, mobilização e higiene pulmonar. Em pacientes selecionados com tórax instável ou múltiplas fraturas deslocadas, estabilização cirúrgica pode reduzir complicações. A banca cobra a relação clássica entre idade, número de fraturas e risco de pneumonia.
Analgesia adequada é tratamento fisiológico: reduz a limitação inspiratória causada pela dor, melhora tosse, expansão pulmonar e capacidade de realizar fisioterapia respiratória. Portanto, controle de dor interfere diretamente no risco de complicações pulmonares.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Pneumonia é uma complicação pulmonar frequente e clinicamente relevante das fraturas costais, e seu risco cresce com o número de costelas acometidas e com a idade do paciente. Esses fatores identificam grupos que exigem monitorização e manejo respiratório mais agressivos.
B) Incorreta. Hemotórax pode estar presente desde o trauma ou surgir de forma tardia e deve ser procurado, mas não é a complicação mais frequente que define o risco clínico tardio das fraturas costais. Hemotórax retido pode evoluir para empiema, porém isso não torna a afirmação global correta.
C) Incorreta. Pneumotórax traumático não tem uma conduta única. Observação pode ser apropriada em pneumotórax pequeno e paciente estável, mas tamanho, sintomas, necessidade de ventilação positiva e evolução radiológica podem indicar drenagem torácica.
D) Incorreta. Analgesia adequada reduz hipoventilação, melhora tosse e higiene brônquica e, portanto, participa justamente da prevenção de atelectasia e pneumonia. Coágulos pleurais retidos relacionam-se ao hemotórax e à drenagem do espaço pleural, não são o principal alvo da analgesia.