Paciente de 42 anos, casada e com 3 filhos, em uso de DIU de cobre, veio à consulta com queixas de sangramento intermitente. Informou ter realizado a última revisão ginecológica há 5 anos (em atraso devido à pandemia). Ao exame físico, a pressão arterial era de 130/85 mmHg, o peso, de 60 kg, e a altura, de 168 cm; mamas, abdômen e vulva não apresentaram particularidades. O exame especular indicou colo com lesão de aspecto tumoral, medindo 1 cm. Foi realizada .......... . Com base no resultado, .......... , foi indicada .......... .
Pegadinha central: lesão tumoral visível no colo não é cenário de rastreamento; é cenário de diagnóstico por biópsia.
Carcinoma invasor confirmado precisa ser estadiado antes da definição terapêutica.
Citologia normal ou alterada não substitui biópsia quando há suspeita clínica de invasão.
Não escolha a cirurgia apenas pelo tamanho aparente da lesão no exame especular.
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Contexto
Uma lesão cervical macroscopicamente tumoral em paciente com sangramento não deve ser tratada como simples situação de rastreamento. Rastreamento é destinado a pessoas assintomáticas sem lesão suspeita conhecida. Aqui já existe uma alteração visível, portanto o objetivo passa a ser diagnóstico.
O Manual de Diagnóstico Precoce em Oncologia para a Atenção Primária do Ministério da Saúde, de 2025, considera tumoração ou ulceração macroscópica do colo um achado de alta suspeição. Diante de lesão visível sugestiva de invasão, a confirmação é histológica por biópsia. Se o anatomopatológico demonstrar carcinoma invasor, o próximo passo é o estadiamento, que define extensão da doença e orienta tratamento.
Nem o tamanho aparentemente pequeno de 1 cm autoriza histerectomia automática. Tumores cervicais invasores iniciais podem ter diferentes opções, incluindo cirurgia conservadora ou radical em situações selecionadas, e o planejamento depende de estadiamento e critérios oncológicos. Da mesma forma, citologia não substitui a biópsia de uma massa clinicamente suspeita.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Citologia é método de rastreamento e triagem, mas diante de lesão tumoral visível a prioridade é confirmação histológica. Além disso, uma eventual HSIL citológica não justificaria conização automática sem integrar aspecto clínico e investigação de invasão.
B) Incorreta. Colposcopia pode integrar a avaliação, mas aparência sugestiva de câncer não basta para indicar histerectomia definitiva. É necessária confirmação histológica e estadiamento.
C) Correta (gabarito). A sequência está correta: realizar biópsia da lesão, confirmar carcinoma invasor e então proceder ao estadiamento para escolher o tratamento apropriado.
D) Incorreta. Mesmo que a biópsia revele adenocarcinoma invasor, não se define histerectomia extrafascial automaticamente. O tratamento depende do estágio e de outros fatores oncológicos.