Paciente de 18 anos foi encaminhada ao Ambulatório de Hematologia para investigação de anemia hipoproliferativa devido a microcitose e anisocitose ao hemograma. Diante da hipótese de anemia ferropriva,
Pegadinha central: queilite angular não é específica, mas encaixa bem em deficiência de ferro quando o hemograma já mostra microcitose.
Ferro baixo isolado é pouco específico; ferritina e saturação de transferrina são mais úteis para caracterizar deficiência.
Ferritina pode subir com inflamação e mascarar ferropenia.
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Contexto
Microcitose e anisocitose em uma paciente jovem levantam fortemente a hipótese de deficiência de ferro, especialmente quando acompanhadas de anemia hipoproliferativa. A deficiência compromete síntese de hemoglobina e também tecidos de rápida renovação, produzindo alterações de pele, mucosas e unhas. Entre os achados clássicos estão queilite angular, glossite atrófica e coiloniquia.
A confirmação laboratorial não deve depender do exame físico. O padrão esperado é ferritina reduzida, saturação de transferrina baixa e aumento da capacidade de ligação do ferro em deficiência não inflamatória. A ferritina é reagente de fase aguda e pode parecer normal ou elevada durante inflamação, situação em que a saturação de transferrina e o contexto clínico ganham importância.
Em mulheres jovens, perdas menstruais são causa comum, mas a investigação deve ser guiada pela história e incluir dieta, sangramentos, gestação, má absorção e outras causas quando apropriado.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Lesões cutâneas hipocrômicas não são sinal típico de deficiência de ferro. Elas sugerem diagnósticos dermatológicos próprios, como vitiligo, hipopigmentação pós-inflamatória ou outras alterações de pigmentação.
B) Incorreta. Diminuição do reflexo patelar aponta para comprometimento neurológico periférico, radicular ou metabólico específico e não é manifestação típica da anemia ferropriva.
C) Correta (gabarito). Queilite angular pode acompanhar deficiência de ferro por alteração trófica do epitélio e, em uma paciente com microcitose e anisocitose, reforça a hipótese de anemia ferropriva.
D) Incorreta. Anel de Kayser-Fleischer resulta de depósito de cobre na membrana de Descem da córnea e é classicamente associado à doença de Wilson, não à deficiência de ferro.