Primigesta de 18 anos, com 28 semanas de gestação, apresentou convulsão tônico-clônica generalizada na UBS. Naquele momento, a pressão arterial era de 130/90 mmHg, e o exame de urina não revelou proteinúria. Mesmo desacompanhada, a paciente deverá ser imediatamente encaminhada a uma maternidade de alto risco.
Pegadinha central: eclâmpsia pode ocorrer sem proteinúria e sem hipertensão grave.
Sulfato de magnésio é superior a diazepam e fenitoína para tratar e prevenir recorrência da convulsão eclâmptica.
Protocolos atuais: IV se acesso disponível; IM é alternativa quando não se consegue acesso venoso.
Nunca atrase a dose de ataque e a transferência aguardando normalização de exames.
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Contexto
Convulsão tônico-clônica generalizada após 20 semanas de gestação deve ser manejada como eclâmpsia até que outra causa seja demonstrada. Eclâmpsia pode ocorrer sem proteinúria e até sem hipertensão grave no momento da crise, portanto pressão de 130/90 mmHg e urina sem proteína não afastam o diagnóstico.
O sulfato de magnésio é o fármaco de escolha para interromper e prevenir recorrência das convulsões eclâmpticas. Ele é superior a diazepam e fenitoína para esse objetivo. A paciente deve receber estabilização inicial, proteção de via aérea, oxigenação quando indicada, prevenção de trauma e transferência imediata para serviço obstétrico de alto risco.
Há diferença entre o gabarito da prova e protocolos pré-hospitalares atuais. Protocolos contemporâneos priorizam dose de ataque intravenosa de sulfato de magnésio quando acesso venoso pode ser obtido rapidamente, por exemplo 4 g IV em cerca de 15 a 20 minutos. Quando o acesso venoso não é possível, utiliza-se esquema intramuscular, classicamente 10 g, sendo 5 g profundamente em cada glúteo. A alternativa A reproduz o esquema de transferência em que a via IM era escolhida para garantir sulfatação antes do transporte.
Depois de estabilizar a mãe, a resolução da gestação é o tratamento definitivo da eclâmpsia, mas não se deve realizar parto ou cesariana durante a convulsão sem estabilização inicial. Via de parto depende do estado materno fetal, apresentação, colo e urgência obstétrica.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Corresponde ao esquema pré-referência cobrado pela questão, no qual sulfato de magnésio intramuscular é administrado antes da transferência para prevenir nova crise. Atualmente, a via IM é especialmente útil quando não se consegue acesso venoso.
B) Incorreta. Para o gabarito histórico, a situação de transporte foi construída para o esquema intramuscular. Na prática atual, entretanto, a via intravenosa é preferida quando acesso venoso está prontamente disponível, portanto esta alternativa representa uma divergência entre a prova e protocolos modernos.
C) Incorreta. Diazepam não é o anticonvulsivante de primeira escolha na eclâmpsia. Pode ter papel em crises refratárias específicas, mas não substitui o sulfato de magnésio para prevenção da recorrência.
D) Incorreta. Fenitoína é menos eficaz que sulfato de magnésio na eclâmpsia e fica reservada a circunstâncias específicas, como refratariedade ou contraindicação ao magnésio.