Paciente de 38 anos, técnica de laboratório, consultou por dor no punho e na mão direitos de início há 6 meses, que evoluiu para o membro superior e ombro. Referiu que a dor era incapacitante. Vinha fazendo uso de analgésicos, anti-inflamatórios, relaxantes musculares e corticosteroides, com benefício transitório. O exame físico geral foi normal, e o exame da região cervical revelou mobilidade preservada, apesar da dor. Não foram percebidos sinais de artrite em mãos, punhos, cotovelos, joelhos, ombros e demais articulações. Apresentava pontos de gatilho na região cervical e escapular.
Pegadinha central: ponto de gatilho reproduzindo dor com exame neurológico normal aponta para músculo, não para necessidade automática de tomografia.
Tratamento de base é reabilitação e correção dos fatores perpetuadores; procedimentos de ponto de gatilho são adjuvantes.
Achado degenerativo em imagem não significa necessariamente causa da dor.
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Contexto
O quadro é compatível com síndrome dolorosa miofascial: dor regional crônica, mobilidade preservada, ausência de sinovite ou déficit neurológico e presença de pontos de gatilho na musculatura cervical e escapular. Pontos de gatilho são áreas hiperirritáveis em bandas musculares tensas que reproduzem a dor habitual à palpação e podem produzir dor referida.
O tratamento deve ser multimodal e priorizar educação, correção ergonômica, atividade física, alongamento, fisioterapia e manejo dos fatores que perpetuam sobrecarga muscular. Técnicas dirigidas aos pontos de gatilho, como agulhamento a seco, acupuntura e infiltração com anestésico local, podem ser utilizadas como adjuvantes. Revisões recentes sustentam benefício analgésico para parte dos pacientes, embora a qualidade da evidência e a magnitude do efeito variem entre técnicas e estudos.
Imagem cervical não é exame de rotina em dor miofascial sem déficit neurológico, trauma, sinais sistêmicos ou outras bandeiras vermelhas. Alterações degenerativas incidentais são comuns e podem desviar o raciocínio sem explicar a dor.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Acupuntura, agulhamento a seco e infiltração de ponto de gatilho com anestésico local são opções terapêuticas utilizadas para dor miofascial, preferencialmente como parte de uma estratégia que inclua reabilitação e correção de fatores mecânicos.
B) Incorreta. Antidepressivos e relaxantes musculares podem ser empregados em contextos específicos, mas não existe indicação de associá-los rotineiramente por uma suposta ação sinérgica obrigatória nesse quadro.
C) Incorreta. Analgésicos não opioides podem oferecer alívio sintomático e fazem parte de estratégias de curto prazo em pacientes selecionados. A intensidade da dor, isoladamente, não torna essa classe inútil.
D) Incorreta. Tomografia cervical não é capaz de confirmar síndrome miofascial e não está indicada rotineiramente sem sinais de alarme. O diagnóstico é predominantemente clínico.