Ensaios clínicos e medicina baseada em evidências

Acesso diretoComentada pelo MedBoard
Questão 84
HCPA · 2023

A avaliação crítica dos resultados de publicações médicas é fortemente recomendada na formação do médico, principalmente quanto ao uso de novas tecnologias cujo nível de evidência científica é baixo e carece de comprovação.

Assinale a assertiva correta sobre a análise da intenção de tratar utilizada em estudos clínicos.
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A análise por intenção de tratar é um princípio dos ensaios clínicos randomizados: cada participante é analisado no grupo para o qual foi originalmente randomizado, independentemente de aderência, interrupção, troca de tratamento ou recebimento incompleto da intervenção. O objetivo é preservar, tanto quanto possível, a comparabilidade criada pela randomização.

Após a randomização, excluir participantes porque não aderiram ou trocaram de terapia pode reintroduzir diferenças prognósticas entre os grupos. A intenção de tratar reduz esse viés e estima melhor o efeito de uma estratégia terapêutica na prática. A análise por protocolo, ao contrário, restringe-se aos participantes que cumpriram critérios de adesão definidos e pode responder melhor ao efeito da intervenção quando seguida como planejada, mas perde parte da proteção contra confundimento fornecida pela randomização.

Intenção de tratar não significa que dados ausentes deixem de existir. Perdas de seguimento continuam podendo ameaçar a validade e precisam ser prevenidas e tratadas por métodos estatísticos apropriados.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. O conceito de intenção de tratar é próprio de estudos nos quais houve alocação de participantes a intervenções, especialmente ensaios randomizados. Em estudos observacionais não existe grupo originalmente randomizado para preservar.

B) Correta (gabarito). Ao manter cada participante no grupo originalmente sorteado, a intenção de tratar preserva a estrutura comparativa criada pela randomização e reduz vieses produzidos por exclusões pós-randomização.

C) Incorreta. A intenção de tratar não é definida por aumentar erro tipo I. Muitas vezes, não adesão e cruzamento entre grupos aproximam os resultados e tornam a estimativa mais conservadora, embora o comportamento estatístico dependa do desenho e da forma de tratamento dos dados ausentes.

D) Incorreta. A lógica é justamente tentar manter na análise todos os participantes randomizados. Reduzir a amostra pela exclusão de não aderentes aproxima-se mais de uma análise por protocolo.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: intenção de tratar pergunta em qual grupo o paciente foi randomizado, não qual tratamento ele terminou recebendo.

  • ITT preserva melhor os benefícios da randomização e aproxima a estimativa da efetividade de uma estratégia.

  • Por protocolo exclui desvios relevantes de adesão e pode introduzir viés de seleção.

Estudar tudo por igual é o que faz o seu tempo não render.

A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.

O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.

Criar conta grátis
Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Ensaios clínicos e medicina baseada em evidências” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
Treinar este tema →