Um estudo ecológico de abrangência nacional, desenvolvido por Macinko e colaboradores, avaliou o impacto do crescimento do Programa Saúde da Família e a redução da mortalidade infantil no Brasil, de 1990 a 2002, quando a cobertura do Programa era de 36%.

Pegadinha central: sinal negativo na tabela significa associação com redução do desfecho; sinal positivo significa associação com aumento.
Aumento de 10% na cobertura do Programa Saúde da Família correspondeu a -4,56% de mortalidade infantil no modelo.
Intervalo de confiança que não cruza zero indica significância estatística para uma medida de diferença como esta.
Por ser estudo ecológico, cuidado com causalidade individual e falácia ecológica.
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Contexto
A tabela apresenta os efeitos marginais de um modelo ecológico. Para cada variável, o número indica a mudança percentual estimada na mortalidade infantil associada a um aumento de 10% naquela variável, mantendo as demais variáveis do modelo constantes. Para cobertura do Programa Saúde da Família, o efeito é de -4,56%, com intervalo de confiança de 95% de -5,68% a -3,44%, totalmente abaixo de zero.
Assim, o achado central é que maior cobertura do Programa Saúde da Família esteve associada a menor mortalidade infantil, com maior magnitude de redução entre as três variáveis de serviços e infraestrutura mostradas. Como o delineamento é ecológico e observacional, a linguagem causal deve ser usada com cautela: a tabela demonstra associação ajustada no modelo, não prova isoladamente que o aumento de cobertura tenha causado toda a redução observada.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). É a leitura pretendida da tabela: para cada aumento de 10% na cobertura do Programa Saúde da Família, o modelo estimou redução de 4,56% na mortalidade infantil. Tecnicamente, a formulação mais rigorosa é dizer que houve associação com redução de 4,56%.
B) Incorreta. O efeito estimado para acesso à água é -2,92%, menor em magnitude que os -4,56% associados à cobertura do Programa Saúde da Família.
C) Incorreta. O aumento de leitos hospitalares associa-se a -1,35% na mortalidade infantil, efeito de menor magnitude que o da cobertura do programa.
D) Incorreta. O analfabetismo feminino apresenta associação positiva de 16,82%, com intervalo de confiança de 95% de 11,38% a 22,26%, indicando associação estatisticamente significativa com maior mortalidade infantil no modelo.