Paciente masculino, de 60 anos, apresentou parada cardiorrespiratória em ambiente extra-hospitalar. A reanimação foi iniciada no local e 3 choques foram aplicados com desfibrilador externo automático (DEA). Quando a equipe do SAMU chegou, o paciente estava irresponsivo, mas apresentava pulso, frequência respiratória de 30 mpm, pressão sistólica de 70 mmHg e saturação de 80% em ar ambiente.
Pegadinha central: após o retorno da circulação, sai o algoritmo de parada e entra o cuidado pós-parada com foco em oxigenação, ventilação e pressão.
SpO2 alvo após estabilização da medida: 90% a 98%; evite tanto hipoxemia quanto hiperoxemia.
Não use grande volume de cristaloide gelado para iniciar hipotermia no pré-hospitalar.
Amiodarona após o retorno da circulação não é automática; depende de arritmia ventricular recorrente ou outra indicação específica.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
O paciente obteve retorno da circulação espontânea após parada cardiorrespiratória, mas permanece irresponsivo, gravemente hipoxêmico e em choque: SpO2 de 80% e pressão sistólica de 70 mmHg. O cuidado pós-parada começa pela correção imediata de oxigenação, ventilação e perfusão. Em paciente que não protege adequadamente a via aérea e apresenta hipoxemia importante, a via aérea avançada com ventilação controlada é apropriada.
As Diretrizes AHA de Ressuscitação Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência de 2025 recomendam oxigênio a 100% até que a saturação possa ser medida de forma confiável e, depois, titulação para SpO2 entre 90% e 98%. A hipotensão deve ser evitada, buscando pressão arterial média de pelo menos 65 mmHg. Reposição volêmica e vasopressor são utilizados conforme o fenótipo do choque; não há evidência suficiente para eleger um vasopressor único para todos os pacientes pós-parada.
Outro ponto atualizado é o controle de temperatura. Pacientes que permanecem sem obedecer a comandos devem receber estratégia protocolizada de controle térmico, mas a AHA 2025 recomenda não usar infusão rápida de cristaloide gelado no ambiente pré-hospitalar para induzir hipotermia. Amiodarona não é mantida de rotina após retorno da circulação espontânea se não há arritmia ventricular recorrente.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Máscara com reservatório pode ser uma ponte, mas o paciente está irresponsivo e com SpO2 de 80%, o que favorece controle definitivo da via aérea. Além disso, cristaloide gelado para resfriamento pré-hospitalar não é recomendado de rotina.
B) Incorreta. Soma dois problemas: utiliza cristaloide gelado como estratégia de hipotermia pré-hospitalar e inclui amiodarona contínua sem arritmia ventricular persistente ou recorrente documentada.
C) Incorreta. Intubação e vasopressor são apropriados, mas amiodarona não deve ser administrada automaticamente apenas porque o ritmo inicial foi chocável. Entre as opções, falta ainda a reposição volêmica inicial diante da hipotensão grave.
D) Correta (gabarito). Intubação trata a incapacidade de proteger a via aérea e a hipoxemia; cristaloide e vasopressor atuam sobre o choque pós-parada, com objetivo de restaurar perfusão e manter pressão arterial média de pelo menos 65 mmHg.