Paciente de 22 anos, com diabetes melito tipo 1 desde os 5 anos, foi internada para tratamento de pielonefrite aguda. Relatou má adesão ao tratamento e uso irregular das insulinas. A dosagem de HbA1c, realizada há 2 meses, foi de 11%. Tinha-lhe sido prescritas insulina NPH (4 UI antes do café, 8 UI antes do almoço e 8 UI às 22 horas) e insulina lispro (6 UI antes do café, 8 UI antes do almoço e 8 UI antes da janta), além de correções antes das refeições conforme a glicemia capilar. Foi mantido o mesmo esquema durante a internação. Às 10 horas da manhã, a paciente apresentou glicemia capilar de 45 mg/dl, e, por estar com o sensório preservado, a hipoglicemia foi corrigida com 1 sachê de 15 g de glicose por via oral; antes do almoço, nova medida indicou 102 mg/dl. A enfermagem questionou a equipe assistente sobre que conduta adotar quanto à administração das insulinas antes do almoço.
Pegadinha central: em diabetes tipo 1, nunca retire toda a insulina basal só porque houve hipoglicemia ou jejum.
Hipoglicemia tratada não encerra o caso; ela deve gerar revisão do esquema para evitar recorrência.
Se o paciente vai comer, existe necessidade de cobertura prandial, mas a dose deve acompanhar a ingestão real e o risco de nova hipoglicemia.
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Contexto
A glicemia de 45 mg/dL caracteriza hipoglicemia clinicamente significativa. Como a paciente estava consciente, recebeu 15 g de glicose oral e chegou ao horário do almoço com glicemia de 102 mg/dL. O episódio foi resolvido, mas obriga a equipe a identificar a causa, sobretudo excesso de insulina, redução da ingestão, alteração de horários, doença aguda ou mudança da sensibilidade à insulina.
Os Standards of Care in Diabetes da American Diabetes Association de 2026 reforçam que pacientes hospitalizados com diabetes tipo 1 devem continuar recebendo insulina basal mesmo quando a alimentação é interrompida, porque ausência de insulina basal pode precipitar hiperglicemia e cetoacidose. Se a paciente vai almoçar, também existe necessidade de cobertura prandial, ajustada à quantidade de carboidrato e à situação clínica.
O gabarito D expressa esse princípio: não suspender automaticamente NPH e lispro depois que a hipoglicemia foi corrigida e a refeição será realizada. Na prática atual, porém, administrar normalmente não significa ignorar o episódio. Uma glicemia de 45 mg/dL durante a internação deve levar à revisão imediata das doses responsáveis e, se necessário, redução da insulina subsequente para prevenir recorrência. O esquema prescrito é incomum por usar NPH também antes do almoço, o que aumenta sobreposição de ação e merece reavaliação individualizada.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Suspender simultaneamente NPH e lispro retira tanto a cobertura basal quanto a prandial de uma paciente com diabetes tipo 1 que irá se alimentar, aumentando risco de hiperglicemia e cetose.
B) Incorreta. Manter apenas lispro elimina o componente basal. Pacientes com diabetes tipo 1 precisam de insulina basal continuamente, independentemente da alimentação.
C) Incorreta. Manter basal é importante, mas, havendo refeição, omitir automaticamente a lispro deixa o carboidrato alimentar sem cobertura. A dose prandial deve ser individualizada conforme ingestão e glicemia, não simplesmente excluída por causa de uma hipoglicemia já corrigida.
D) Correta (gabarito). Entre as alternativas, é a única que preserva os componentes basal e prandial após correção da hipoglicemia e com refeição programada. A ressalva contemporânea é que o episódio de 45 mg/dL exige revisão das doses e do esquema, podendo justificar redução individualizada para evitar nova hipoglicemia.