Bronquiolite viral aguda

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Questão 11
HCPA · 2023

Lactente de 4 meses, previamente hígido, foi transferido da Emergência para a Enfermaria com diagnóstico de bronquiolite viral aguda por vírus sincicial respiratório. O exame físico realizado quando da admissão na Enfermaria revelou frequência respiratória de 42 mpm, tiragem subcostal leve e esparsos sibilos polifônicos expiratórios bilaterais. O oxímetro de pulso mostrava saturação de 95% em cateter nasal com fluxo de oxigênio a 1 l/min. À radiografia de tórax, foram constatadas hiperinsuflação bilateral e opacidades intersticiais peri-hilares. Na prescrição da Emergência, constavam dieta por sonda nasogástrica, oxigênio por cateter nasal a 1 l/min e aspiração nasal, se necessário.

Que modificação na prescrição médica deve ser realizada na Enfermaria?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O Guia de Manejo Clínico da Bronquiolite Viral Aguda do Ministério da Saúde, atualizado em 2026, reforça que o tratamento é predominantemente de suporte. A obstrução bronquiolar decorre principalmente de edema da mucosa, descamação epitelial e acúmulo de secreções, e não de broncoespasmo puro. Por isso, salbutamol não é recomendado rotineiramente, e fisioterapia respiratória também não é intervenção de rotina no lactente previamente saudável.

O ponto que discrimina a conduta nesta questão é a possibilidade de alimentação oral. O guia atual recomenda que crianças hospitalizadas mantenham preferencialmente a alimentação por via oral quando o padrão respiratório permitir. A sonda nasogástrica fica indicada quando há má aceitação, dificuldade de sucção, vômitos ou risco de aspiração por esforço respiratório moderado ou grave. Não existe um único valor de frequência respiratória que, isoladamente, determine a via alimentar. É preciso integrar frequência respiratória, retrações, coordenação sucção deglutição respiração, fadiga e tolerância clínica.

O Ministério da Saúde considera oxigênio suplementar principalmente diante de hipoxemia persistente, com saturação menor ou igual a 92%, e recomenda reavaliação frequente para ajustar o suporte. Neste lactente, a saturação de 95% em baixo fluxo não justifica aumentar o oxigênio. A radiografia com hiperinsuflação e opacidades intersticiais peri hilares é compatível com bronquiolite, mas a radiografia não muda o princípio terapêutico de suporte.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Aumentar o cateter de 1 para 2 L/min sem hipoxemia ou piora do esforço respiratório não traz benefício. O oxigênio deve ser titulado de acordo com saturação e padrão respiratório, e não aumentado apenas porque o paciente está internado.

B) Correta (gabarito). O lactente apresenta apenas tiragem leve, FR de 42 irpm, não há descrição de fadiga, vômitos ou dificuldade de sucção e a oxigenação está adequada. O padrão respiratório permite tentar alimentação oral, preferencialmente em volumes menores e com reavaliação da tolerância.

C) Incorreta. Salbutamol não deve ser incluído rotineiramente na bronquiolite típica. O mecanismo predominante é edema e obstrução por secreção, não contração reversível da musculatura lisa. O guia de 2026 também não recomenda prova terapêutica rotineira quando o diagnóstico de bronquiolite está claro.

D) Incorreta. Fisioterapia respiratória de rotina não melhora os principais desfechos da bronquiolite em lactentes previamente hígidos. Pode ser considerada de modo individualizado em situações específicas, como comorbidades que dificultem depuração de secreções ou alguns pacientes críticos ventilados.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: bronquiolite com sibilo não é automaticamente broncoespasmo tratável com salbutamol.

  • Via oral é preferível quando o padrão respiratório permite; sonda é reservada para intolerância, sucção inadequada ou risco de aspiração com esforço moderado ou grave.

  • No guia do Ministério da Saúde de 2026, hipoxemia persistente com SatO2 menor ou igual a 92% é referência para considerar oxigênio suplementar.

  • Bronquiolite é tema clássico de prova sobre intervenções que não devem ser feitas de rotina: broncodilatador, corticoide, antibiótico e fisioterapia respiratória indiscriminada.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Bronquiolite viral aguda” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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