Menino de 9 anos foi trazido à Emergência por febre, dor no membro inferior esquerdo e dificuldade de mobilização do joelho há 24 horas. Não tinha história de traumatismos recentes. Ao exame físico, encontrava-se febril, prostrado, com dor constante na perna referida, mas com boa perfusão periférica. Nos membros inferiores, não se constatou perda de força; foram observadas diversas lesões ora pustulosas, ora crostosas e melicéricas, com halo hiperemiado. O joelho esquerdo estava quente e edemaciado.
Pegadinha: monoartrite quente e febril em criança é artrite séptica até prova em contrário, e S. aureus deve estar coberto empiricamente.
Oxacilina é resposta de prova para MSSA; se o enunciado trouxer risco de MRSA, a estratégia empírica muda.
Antibiótico não substitui obtenção de material e controle do foco articular quando drenagem é indicada.
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Contexto
Febre, prostração, dor articular intensa, calor, edema e limitação funcional aguda do joelho formam um quadro típico de artrite bacteriana aguda. As lesões pustulosas e melicéricas sugerem porta de entrada cutânea e tornam Staphylococcus aureus ainda mais plausível. Em crianças, S. aureus é o principal agente da artrite séptica em diversas faixas etárias.
A diretriz PIDS/IDSA de 2023 para artrite bacteriana aguda pediátrica recomenda que a terapia empírica tenha atividade contra S. aureus. A escolha entre cobertura para MSSA e MRSA depende da epidemiologia local, gravidade, antecedentes e fatores de risco. Quando o cenário favorece MSSA, oxacilina, nafcilina ou cefazolina são opções adequadas. Em locais com prevalência relevante de MRSA, ou diante de doença grave e fatores de risco, a cobertura empírica deve ser ampliada conforme susceptibilidade local, podendo envolver clindamicina ou vancomicina.
Artrite séptica é emergência ortopédico-infecciosa. Sempre que possível, deve-se colher hemocultura e líquido sinovial para contagem celular, Gram e cultura antes do antibiótico, desde que isso não atrase o tratamento de uma criança clinicamente doente. Drenagem ou aspiração da articulação frequentemente faz parte do manejo.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Amoxicilina isolada não é confiável contra S. aureus produtor de penicilinase e não constitui terapia adequada para artrite séptica por MSSA.
B) Incorreta. Ampicilina também é inativada pela penicilinase produzida pela maioria dos isolados de S. aureus. Pode ter papel em outros agentes, mas não é a escolha antistafilocócica adequada neste caso.
C) Correta (gabarito). Oxacilina é penicilina resistente à penicilinase e oferece cobertura apropriada para MSSA, agente fortemente sugerido pelo quadro de artrite séptica associado a infecção cutânea. É a melhor alternativa disponível na lógica epidemiológica da questão.
D) Incorreta. Cefepima oferece cobertura ampla contra bacilos Gram-negativos, inclusive Pseudomonas, mas esse espectro é desnecessário em uma criança previamente saudável sem fatores de risco específicos. Ampliar espectro sem indicação não melhora o tratamento dirigido para o agente mais provável.