Criança que nasceu com 37 semanas e 5 dias de idade gestacional, de parto cesáreo (bolsa rota no ato) devido à doença hipertensiva específica da gestação, em boas condições, não requereu manobras de reanimação na Sala de Parto. Apresentou índice de Apgar 8 e 9 no primeiro e quinto minutos respectivamente e peso ao nascimento de 3.350 g. À avaliação com 12 horas de vida, foram constatadas tiragem subcostal leve e frequência respiratória de 88 mpm, com necessidade de 30% de oxigênio.
A pegadinha é diferenciar retenção de líquido pulmonar de deficiência de surfactante: cesárea sem trabalho de parto, termo ou termo precoce e melhora rápida apontam para taquipneia transitória.
Radiografia típica: hiperinsuflação, reforço perihilar e líquido nas fissuras.
Surfactante é peça central da doença da membrana hialina, não da taquipneia transitória.
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Contexto
O quadro é típico de taquipneia transitória do recém-nascido: recém-nascido a termo precoce, cesárea com bolsa rota apenas no ato, boa vitalidade ao nascer e desconforto respiratório nas primeiras horas de vida, com taquipneia importante e necessidade relativamente baixa de oxigênio. O ponto fisiopatológico central é a depuração retardada do líquido pulmonar fetal. No fim da gestação e, principalmente, durante o trabalho de parto, catecolaminas estimulam o transporte ativo de sódio pelo epitélio pulmonar, favorecendo a passagem de líquido dos alvéolos para o interstício e a circulação. Na cesárea sem trabalho de parto esse estímulo é menor, aumentando o risco de retenção de líquido.
A radiografia, quando necessária, costuma mostrar hiperinsuflação, reforço da trama/perihilar, edema intersticial e líquido nas fissuras. O quadro geralmente melhora em 24 a 72 horas com suporte. Isso contrasta com a síndrome do desconforto respiratório por deficiência de surfactante, mais associada à prematuridade, baixo volume pulmonar e padrão reticulogranular difuso com broncogramas aéreos.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). O mecanismo que melhor explica a apresentação é o retardo da reabsorção do líquido pulmonar fetal. A cesárea sem trabalho de parto é um fator de risco clássico porque reduz a transição hormonal e mecânica que acelera essa depuração.
B) Incorreta. Áreas grosseiras e irregulares de atelectasia alternadas com hiperinsuflação lembram mais doença pulmonar com obstrução e aprisionamento aéreo, como síndrome de aspiração meconial. Na taquipneia transitória predominam hiperinsuflação, congestão/perihilar e líquido em fissuras.
C) Incorreta. Corticoide antenatal não é indicado rotineiramente, com 37 semanas e 5 dias, apenas para prevenir taquipneia transitória. Os esquemas de corticoide antenatal têm indicações obstétricas específicas relacionadas ao risco de parto prematuro, e não constituem tratamento preventivo padrão desse cenário a termo precoce.
D) Incorreta. CPAP nasal pode ser necessário se houver desconforto ou hipoxemia relevantes, mas surfactante não é tratamento rotineiro da taquipneia transitória, porque o defeito primário não é deficiência de surfactante. A maioria dos casos exige oxigênio e suporte respiratório conforme a necessidade clínica.