Documentos médico-legais

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Questão 25
HCPA · 2024

Criança de 5 meses foi trazida à Emergência pelo pai com diversas lesões compatíveis com maus-tratos, embora ele relatasse histórias de queda do berço. A paciente faleceu em poucas horas, e o médico plantonista forneceu atestado de óbito, dando como causa da morte trauma craniano.

Com base no quadro, o médico agiu
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O ponto decisivo é a suspeita de morte por causa externa ou violenta. Uma criança de 5 meses com múltiplas lesões incompatíveis com a história de queda e evolução para óbito após trauma craniano deve ser tratada como possível vítima de violência, mesmo antes de comprovação judicial de maus-tratos. O médico assistente pode constatar o óbito e registrar adequadamente a assistência prestada, mas não deve transformar uma morte suspeita de causa externa em morte natural apenas porque conhece a lesão terminal.

O Manual de Instruções para Preenchimento da Declaração de Óbito do Ministério da Saúde, de 2022, estabelece que, em localidade com Instituto Médico-Legal, a Declaração de Óbito de morte acidental ou violenta é emitida pelo médico do IML. Pareceres recentes dos Conselhos de Medicina mantêm o mesmo entendimento para morte externa ou violenta. Se não houver IML, aplica-se o fluxo médico-legal previsto para a localidade, com profissional investido pela autoridade competente. O motivo é preservar cadeia de investigação, caracterizar mecanismo e circunstância da morte e evitar que eventual homicídio, acidente ou outra causa externa seja certificado inadequadamente.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. A existência evidente de trauma não autoriza o médico assistente a emitir a declaração como se fosse morte natural. Ao contrário, o trauma é justamente o elemento que impõe investigação médico-legal da causa externa.

B) Incorreta. Não é necessário comprovar maus-tratos antes do encaminhamento. Suspeita plausível de violência já é suficiente para acionar o fluxo médico-legal. A confirmação da circunstância não é tarefa do médico assistente isoladamente.

C) Correta (gabarito). O médico agiu de forma inadequada porque havia fortes indícios de morte violenta. Em localidade com IML, o corpo deveria ser encaminhado para perícia médico-legal, e a Declaração de Óbito deveria ser emitida pelo médico legista.

D) Incorreta. A questão não depende de existir ou não certeza sobre a lesão que levou à morte. Mesmo que trauma craniano seja clinicamente provável, o ponto obrigatório é esclarecer a causa externa e a circunstância da violência pelo fluxo médico-legal.

Bizu MedBoard
  • A pegadinha central é esperar prova definitiva de violência. Para encaminhar ao IML, suspeita de causa externa já basta.

  • Morte natural e morte externa seguem fluxos diferentes de emissão da Declaração de Óbito.

  • Trauma craniano pode descrever a lesão fatal, mas não esclarece sozinho se houve acidente, homicídio ou outra circunstância externa.

  • Ministério da Saúde 2022: onde há IML, morte acidental ou violenta tem a Declaração de Óbito emitida pelo médico legista.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Documentos médico-legais” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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