Pegadinha: rastreamento é para assintomáticos; diagnóstico precoce é para sintomáticos.
Ter um bom exame não basta para criar rastreamento populacional.
Programa de rastreamento precisa mostrar benefício líquido, não apenas detectar mais câncer.
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Contexto
Prevenção oncológica não é sinônimo de rastreamento. A OMS, nas orientações atuais sobre detecção precoce do câncer, separa duas estratégias. Diagnóstico precoce busca reconhecer rapidamente câncer em pessoas que já apresentam sinais ou sintomas. Rastreamento procura alterações em pessoas assintomáticas pertencentes a uma população-alvo.
O diagnóstico precoce deve ser promovido amplamente porque reduzir atrasos entre o primeiro sintoma, a confirmação diagnóstica e o início do tratamento melhora a chance de oferecer cuidado apropriado. Isso continua válido mesmo quando uma parcela dos casos já apresenta doença avançada no momento do diagnóstico, pois confirmar rapidamente a extensão também permite iniciar tratamento sistêmico, controle de sintomas e cuidados paliativos sem atrasos evitáveis.
Rastreamento é diferente: um exame tecnicamente capaz de diagnosticar câncer não basta para justificar programa populacional. É necessário demonstrar que rastrear pessoas assintomáticas produz benefício líquido, com redução de mortalidade ou morbidade que supere falso-positivos, sobrediagnóstico, complicações, custos e consumo de recursos.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Uma intervenção pode reduzir incidência e ainda assim não ser custo-efetiva se o benefício absoluto for pequeno, o custo muito alto ou os danos superarem as vantagens. Efetividade clínica e custo-efetividade são conceitos diferentes.
B) Incorreta. Rastreamento não deve ser oferecido para todo câncer que possua um exame diagnóstico. É preciso haver população-alvo, história natural favorável à detecção pré-clínica, teste adequado, capacidade de confirmação e tratamento e demonstração de benefício líquido.
C) Correta (gabarito). O diagnóstico precoce de pessoas sintomáticas deve ser promovido para diminuir atrasos e permitir definição rápida do estágio e do tratamento. Mesmo doença extensa se beneficia de reconhecimento oportuno para que terapia antineoplásica ou paliativa adequada comece sem demora.
D) Incorreta. Polivitamínicos não constituem intervenção universal comprovada para prevenção do câncer. Suplementos específicos podem ter indicações nutricionais, mas não devem ser prescritos genericamente com promessa de prevenir neoplasias.