Criança de 7 anos foi trazida à consulta por apresentar lesões maculopapulares avermelhadas. A mãe informou que o início do quadro fora precedido por febre baixa. Inicialmente surgiram lesões na face (bochechas e dorso do nariz) e, após 2 dias, espalharam-se nos membros superiores, inclusive nas palmas das mãos, com aspecto rendilhado. Elas acentuavam-se com o sol.
Pegadinha: a distribuição isolada pode confundir, mas a sequência bochecha esbofeteada → rash rendilhado é praticamente a assinatura do eritema infeccioso.
Sol, calor e exercício podem reacender o exantema do parvovírus B19.
A fase de maior contágio costuma ocorrer antes do rash, detalhe frequentemente explorado em questões de afastamento escolar e exposição de gestantes.
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Contexto
O eritema infeccioso é a manifestação clássica da infecção pelo parvovírus B19. Após pródromo discreto, com febre baixa e sintomas inespecíficos, surge eritema intenso nas bochechas, o aspecto de face esbofeteada. Em seguida, aparece exantema maculopapular que clareia centralmente e assume aspecto reticulado ou rendilhado, predominando em membros e tronco.
Um detalhe altamente característico é que o exantema pode reaparecer ou ficar mais evidente após exposição ao sol, calor, exercício ou estresse, mesmo quando a criança já está clinicamente bem. O acometimento palmar não é a distribuição mais clássica do eritema infeccioso, mas não supera, neste caso, o valor discriminatório da sequência face esbofeteada seguida de rash rendilhado e fotossensível.
Outro ponto de prova é a transmissibilidade: a criança costuma ser mais contagiosa antes do aparecimento do exantema. Quando o rash típico surge, em geral a fase de maior viremia já passou. O parvovírus B19 merece atenção especial em gestantes e em pessoas com anemias hemolíticas crônicas, nas quais pode causar complicações hematológicas.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Escarlatina costuma acompanhar faringite por Streptococcus pyogenes e produz exantema micropapular áspero, descrito como lixa, com maior intensidade em dobras, linhas de Pastia e possível língua em framboesa. Não produz o padrão rendilhado típico descrito.
B) Correta (gabarito). O diagnóstico é eritema infeccioso por parvovírus B19. A sequência de eritema malar, seguida dois dias depois por exantema reticulado nos membros, com intensificação ao sol, é altamente característica.
C) Incorreta. Exantema súbito ocorre sobretudo em lactentes e crianças pequenas. O padrão clássico é febre alta por 3 a 5 dias, seguida de queda abrupta da temperatura e aparecimento do exantema, geralmente iniciado no tronco. Aqui houve febre baixa e o rash começou na face.
D) Incorreta. Síndrome mão-pé-boca, em geral por enterovírus, cursa com vesículas ou pápulas em mãos e pés associadas a enantema ou úlceras orais. Não explica a face esbofeteada nem o padrão rendilhado fotossensível.