Paciente masculino, de 18 anos, veio à consulta queixando-se de cefaleia eventual e fraqueza, com intolerância ao exercício físico. Apresentava quadro típico de claudicação intermitente de membros inferiores. Negou comorbidades prévias. Ao exame clínico, foram constatadas pressão arterial de 150/90 mmHg em ambos os membros superiores, com pulsos palpáveis e simétricos, e ausência de pulsos periféricos nos membros inferiores.
Pegadinha: hipertensão no braço mais pulso femoral fraco ou ausente é coarctação até prova em contrário.
Procure atraso rádio-femoral e compare a pressão arterial entre membros superiores e inferiores.
Gradiente sistólico braço-perna superior a 20 mmHg é um dos marcadores de coarctação hemodinamicamente significativa.
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Contexto
Coarctação da aorta é um estreitamento congênito da aorta, geralmente próximo à região do ducto arterioso. O estreitamento aumenta a resistência à ejeção do ventrículo esquerdo e produz uma diferença hemodinâmica característica: pressão elevada proximalmente, nos membros superiores, e hipoperfusão distal, nos membros inferiores.
Em adolescentes e adultos jovens, a apresentação pode ser hipertensão descoberta ao acaso, cefaleia, epistaxe, intolerância ao exercício ou claudicação das pernas. O exame deve comparar pressão nos quatro membros e pulsos braquiais e femorais. A Diretriz ACC/AHA de Doença da Aorta de 2022 considera diferença sistólica não invasiva superior a 20 mmHg entre membros superiores e inferiores um dos critérios de coarctação significativa, em conjunto com anatomia e outros gradientes hemodinâmicos.
O achado clássico é pulso femoral reduzido e retardado em relação ao radial, conhecido como atraso rádio-femoral. Em obstrução importante, os pulsos distais podem ser muito diminuídos ou ausentes. A hipertensão nos dois braços com pulsos superiores simétricos e ausência bilateral dos pulsos inferiores em um paciente de 18 anos encaixa-se diretamente nesse mecanismo.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Coarctação da aorta explica simultaneamente hipertensão nos membros superiores, claudicação dos membros inferiores e ausência de pulsos distais. O ponto discriminador é a diferença de perfusão entre o território proximal e distal à obstrução aórtica.
B) Incorreta. Doença de Behçet é vasculite de vasos de vários calibres e costuma vir acompanhada de manifestações como úlceras orais recorrentes, úlceras genitais, uveíte, trombose ou aneurismas. O padrão hemodinâmico isolado deste caso não sugere Behçet.
C) Incorreta. Arterite de Takayasu pode causar ausência de pulsos e diferenças pressóricas em jovens, porém é mais típica em mulheres e frequentemente compromete ramos do arco aórtico, gerando assimetria entre os braços e sopros vasculares. Aqui, ambos os braços têm pressão e pulsos simétricos, enquanto a redução de fluxo é bilateral nas pernas, padrão clássico de coarctação.
D) Incorreta. Doença arterial periférica aterosclerótica pode causar claudicação e perda de pulsos, mas é extremamente improvável como explicação primária em um jovem de 18 anos sem fatores de risco relevantes e não explica tão elegantemente a hipertensão proximal.