Lactente masculino, de 1 ano, iniciou, há 3 dias, com tosse, coriza hialina e temperatura axilar de até 37o C. Por ter apresentado piora clínica com taquipneia, batimentos de asa nasal e retrações intercostais e subcostais, foi trazido à consulta. A ausculta pulmonar revelou estertores rudes e crepitantes difusamente distribuídos, sem sibilância.
Pegadinha: bronquiolite não precisa ter sibilância. Crepitações difusas com pródromo catarral em lactente também fecham o padrão.
Quando a banca oferece apenas um vírus entre várias bactérias, procure pródromo de vias aéreas superiores, febre baixa ou ausente e ausculta difusa.
O VSR é o agente mais comum em bronquiolite, mas a pergunta é sobre a melhor alternativa disponível. Aqui, é rinovírus.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
O quadro é de infecção viral de vias aéreas inferiores, com padrão clínico de bronquiolite: lactente de 1 ano, pródromo de vias aéreas superiores com coriza e tosse, ausência de febre relevante e progressão para taquipneia, batimento de asa nasal, retrações e estertores difusos. A diretriz clínica da American Academy of Pediatrics define a bronquiolite como diagnóstico essencialmente clínico, no qual rinorreia e tosse podem evoluir para desconforto respiratório, crepitações e, com frequência, sibilos. A ausência de sibilância não exclui bronquiolite.
O vírus sincicial respiratório é o agente mais frequente de bronquiolite, mas não aparece entre as alternativas. O rinovírus é causa reconhecida de infecção respiratória baixa e bronquiolite em lactentes e, entre as opções apresentadas, é o melhor encaixe etiológico. O ponto discriminador contra pneumonia bacteriana típica é a combinação de pródromo catarral, temperatura praticamente normal e achados auscultatórios difusos, sem descrição de consolidação focal ou toxemia.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Streptococcus pneumoniae é causa importante de pneumonia bacteriana, mas costuma produzir febre mais evidente e pode gerar síndrome de consolidação ou achados focais. A evolução catarral, afebril e difusa desta criança favorece etiologia viral.
B) Incorreta. Mycoplasma pneumoniae é mais associado à pneumonia atípica de escolares e adolescentes, geralmente com tosse persistente e evolução mais arrastada. Aos 12 meses, não é a melhor explicação para esse padrão de bronquiolite.
C) Incorreta. Haemophilus influenzae pode causar doença bacteriana respiratória, mas não explica tão bem o pródromo viral, a ausência de febre significativa e a ausculta difusa. Além disso, a vacinação reduziu de forma marcante a doença invasiva por H. influenzae tipo b.
D) Correta (gabarito). O rinovírus pode acometer as vias aéreas inferiores de lactentes e causar bronquiolite. Diante das alternativas disponíveis, é o agente que melhor combina com coriza inicial, desconforto respiratório progressivo e crepitações difusas sem síndrome de consolidação.