Paciente feminina, de 60 anos, ECOG 0, com cirrose pelo vírus da hepatite C (Child-Pugh A), sem evidência de hipertensão portal, com dosagem de alfa-fetoproteína de 2,0 ng/ml (valor de referência: < 10 ng/ml), veio à consulta para definir a conduta após realizar tomografia computadorizada (TC) de abdômen com contraste (imagem abaixo). Trouxe, também, TC de tórax sem alterações significativas.

Pegadinha: AFP normal não exclui hepatocarcinoma. Em cirrótico, o padrão de imagem multifásica pode fechar o diagnóstico sem biópsia.
HCC único mais Child A mais ausência de hipertensão portal é combinação clássica para ressecção.
Embolização portal prepara uma hepatectomia quando o remanescente será pequeno; não trata o câncer por si só.
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Contexto
A imagem fornecida é uma tomografia axial contrastada e mostra lesão focal hepática no lobo esquerdo, destacando-se do parênquima adjacente. Como foi disponibilizado apenas um corte estático e não toda a série dinâmica, não é possível confirmar independentemente, pela reprodução isolada, todos os critérios de realce arterial, washout e cápsula. O contexto da questão, entretanto, considera a lesão compatível com carcinoma hepatocelular localizado.
Em paciente com cirrose, o carcinoma hepatocelular pode ser diagnosticado de forma não invasiva quando uma lesão de tamanho adequado apresenta padrão característico em TC ou ressonância multifásica. A AASLD Practice Guidance de 2023 utiliza critérios radiológicos padronizados e não exige elevação da alfa-fetoproteína para o diagnóstico. AFP de 2 ng/mL não exclui hepatocarcinoma.
A escolha do tratamento depende simultaneamente de carga tumoral, função hepática, hipertensão portal e condição funcional. Esta paciente tem ECOG 0, cirrose Child-Pugh A, ausência de hipertensão portal e aparentemente uma lesão única localizada. A orientação contemporânea da AASLD considera ressecção hepática tratamento curativo de primeira linha para HCC localizado em paciente com função hepática preservada e sem hipertensão portal clinicamente significativa, quando tecnicamente ressecável.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Repetir imagem em três meses é estratégia para nódulos indeterminados em determinados contextos, não para uma lesão já considerada compatível com HCC e ressecável. Alcoolização percutânea foi amplamente utilizada historicamente, mas técnicas térmicas como radiofrequência ou micro-ondas têm papel maior quando ablação é escolhida.
B) Incorreta. Em cirrótico com padrão radiológico típico de HCC em exame multifásico, biópsia pode ser dispensada. Embolização portal não é tratamento oncológico definitivo do nódulo; ela serve para induzir hipertrofia do futuro remanescente hepático antes de hepatectomia extensa em pacientes selecionados.
C) Incorreta. Quimioembolização arterial é mais utilizada em doença multinodular não ressecável ou em estratégias de ponte e downstaging selecionadas. Não é a primeira escolha para uma paciente com lesão localizada, boa função hepática e ausência de hipertensão portal que pode ser submetida a ressecção.
D) Correta (gabarito). A combinação de lesão localizada, ECOG 0, Child-Pugh A e ausência de hipertensão portal define o cenário clássico em que a ressecção hepática oferece intenção curativa, desde que avaliação volumétrica e anatômica confirme futuro remanescente adequado.