DRGE e doença ulcerosa péptica

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Questão 68
HCPA · 2024

Paciente masculino, de 28 anos, procurou atendimento por pirose e regurgitação (2-3 vezes/semana), especialmente após ingestão de alimentos gordurosos. Referiu melhora temporária com o uso de antiácidos. Relatou ganho de 7 kg nos últimos 2 anos, atingindo 89 kg (IMC de 29,7 kg/m2). Negou disfagia, odinofagia, hematêmese e melena. Não apresentava anemia.

Com base no quadro, qual a conduta mais adequada?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Pirose e regurgitação recorrentes são os sintomas típicos de doença do refluxo gastroesofágico. Em adulto jovem sem disfagia, odinofagia, sangramento gastrointestinal, perda ponderal ou anemia, o diagnóstico inicial pode ser clínico e não há necessidade de endoscopia antes de uma tentativa terapêutica.

A ACG Clinical Guideline para DRGE de 2022 recomenda, em pacientes com pirose e regurgitação típicas sem sinais de alarme, um teste empírico de IBP uma vez ao dia por 8 semanas, administrado antes de uma refeição. A alternativa usa a faixa de 4 a 8 semanas, compatível com a lógica terapêutica da prova, embora a recomendação ACG seja especificamente de 8 semanas.

Medidas não farmacológicas com melhor sustentação incluem perda de peso em pacientes com sobrepeso ou obesidade, evitar refeições nas 2 a 3 horas anteriores ao sono quando há sintomas noturnos, elevar a cabeceira em refluxo noturno e identificar gatilhos individualmente em vez de proibir listas universais de alimentos.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). O paciente tem sintomas típicos, não apresenta sinais de alarme e está acima do peso. A abordagem inicial é orientação comportamental, com destaque para perda ponderal, e teste terapêutico com IBP em dose usual. A ACG utiliza 8 semanas como duração padrão do teste.

B) Incorreta. Endoscopia não é obrigatória de início em um adulto de 28 anos com sintomas típicos e ausência de alarme. Ela passa a ser indicada quando existem sinais de alarme, falha terapêutica, necessidade de investigar complicações ou contexto específico de risco.

C) Incorreta. Manometria e monitorização de refluxo não são exames iniciais para um quadro típico não tratado. A pHmetria em uso de IBP é reservada principalmente para pacientes com DRGE já objetivamente comprovada que permanecem sintomáticos apesar de terapia otimizada.

D) Incorreta. Monitorização sem IBP pode ser útil quando o diagnóstico de DRGE ainda não foi estabelecido após avaliação apropriada, mas não é necessária antes de um teste terapêutico simples em paciente com sintomas típicos e sem sinais de alarme. Manometria também não diagnostica DRGE isoladamente.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha: pirose e regurgitação típicas sem alarme não pedem endoscopia de saída. Pedem IBP empírico.

  • ACG 2022: teste com IBP por 8 semanas, uma vez ao dia antes da refeição.

  • Sobrepeso é modificável: perda de peso é uma das medidas comportamentais com melhor evidência para DRGE.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “DRGE e doença ulcerosa péptica” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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