Paciente masculino, de 39 anos, com lombalgia noturna de início insidioso há 4 meses que amenizava com exercício, mas não com repouso, vinha fazendo uso intermitente de anti-inflamatórios não esteroidais com resposta significativa, mas transitória. Apresentou elevação do nível de proteína C reativa. Radiografia convencional de coluna lombar e articulações sacroilíacas não mostrou alterações.
Pegadinha: radiografia normal não exclui espondiloartrite axial.
Dor inflamatória melhora com exercício e não com repouso, ao contrário da lombalgia mecânica típica.
Suspeita alta mais raio X normal chama MRI das sacroilíacas para procurar inflamação ativa.
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Contexto
A lombalgia descrita tem características inflamatórias: início antes dos 40 anos, instalação insidiosa, duração superior a 3 meses, piora noturna, melhora com exercício, ausência de melhora com repouso e resposta importante a anti-inflamatório. A proteína C reativa elevada reforça a suspeita de espondiloartrite axial.
Radiografia normal das articulações sacroilíacas não exclui doença inicial. Alterações estruturais radiográficas podem levar anos para aparecer. Quando a suspeita clínica permanece alta, a ressonância magnética das articulações sacroilíacas pode demonstrar inflamação ativa antes das erosões e da esclerose visíveis na radiografia.
As recomendações ASAS-SPARTAN de 2024 para ressonância das articulações sacroilíacas reforçam protocolo adequado para detectar sacroiliíte. O achado inflamatório clássico é edema de medula óssea ou osteíte em distribuição subcondral compatível. A MRI deve ser interpretada junto com a clínica porque edema ósseo isolado também pode ocorrer por sobrecarga mecânica, exercício e outras condições.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Fisioterapia e exercício são componentes importantes do tratamento, mas a prioridade neste momento é esclarecer uma suspeita consistente de sacroiliíte inflamatória ainda não demonstrada na radiografia.
B) Incorreta. Glicocorticoide sistêmico não é tratamento rotineiro da espondiloartrite axial e não deve ser iniciado empiricamente para substituir a investigação diagnóstica. Infiltrações locais podem ter papel em situações selecionadas.
C) Correta (gabarito). A ressonância magnética das articulações sacroilíacas é o próximo exame apropriado porque pode detectar edema de medula óssea e inflamação ativa quando a radiografia ainda não mostra sacroiliíte estrutural.
D) Incorreta. Infiltração de articulações interfacetárias é uma estratégia voltada principalmente a dor facetária mecânica. O padrão clínico aqui é inflamatório e aponta para sacroilíacas, não para síndrome facetária.