Paciente de 62 anos veio à consulta por apresentar episódios intermitentes de sangramento vaginal após a menopausa. A investigação diagnóstica identificou adenocarcinoma não endometrioide do endométrio.
Pegadinha: carcinoma seroso do endométrio lembra p53 anormal, não o modelo clássico de hiperestrogenismo da obesidade.
Classificação molecular atual: POLE mutado, MMR deficiente, sem perfil molecular específico e p53 anormal.
Não endometrioide de alto risco é agressivo e exige estadiamento oncológico apropriado, mesmo quando aparentemente restrito ao útero.
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Contexto
O termo adenocarcinoma não endometrioide engloba histologias de maior agressividade, e a associação clássica de prova é o carcinoma seroso do endométrio. Diferentemente do carcinoma endometrioide típico, que costuma se desenvolver em ambiente de hiperestrogenismo e frequentemente se associa a obesidade, diabetes e hiperplasia endometrial, o carcinoma seroso tende a surgir em mulheres mais idosas, muitas vezes sobre endométrio atrófico, e apresenta maior propensão à disseminação extrauterina.
O marcador molecular mais característico é alteração de TP53, frequentemente identificada por padrão anormal de p53 na imuno-histoquímica. A FIGO Staging of Endometrial Cancer de 2023 incorporou a classificação molecular à compreensão prognóstica do câncer endometrial. Os quatro grandes grupos moleculares são POLE mutado, deficiência do sistema de reparo de mismatch, perfil sem alteração molecular específica e p53 anormal. Tumores serosos são fortemente enriquecidos no grupo p53 anormal.
A avaliação moderna não se limita à histologia. Estadiamento anatômico, avaliação linfonodal e perfil molecular influenciam prognóstico e tratamento. Histologia serosa ou outro subtipo de alto risco não deve ser manejado com simples histerectomia e salpingooforectomia bilateral sem estadiamento apropriado.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Obesidade e diabetes são fatores clássicos do carcinoma endometrioide relacionado à exposição estrogênica crônica. Podem coexistir com qualquer câncer, mas não constituem a associação patogênica que caracteriza o grupo não endometrioide seroso cobrado.
B) Correta (gabarito). Alteração de TP53, refletida por padrão anormal de p53, é uma assinatura molecular característica do carcinoma seroso endometrial e do grupo molecular p53 anormal, associado a comportamento de alto risco.
C) Incorreta. O comportamento é o oposto: tumores serosos e outros não endometrioides de alto grau tendem a ser biologicamente agressivos, com risco de disseminação peritoneal, linfonodal e distante mesmo quando a lesão uterina parece pequena.
D) Incorreta. O tratamento cirúrgico não termina em histerectomia com salpingooforectomia bilateral sem avaliação de extensão. O manejo exige estadiamento adequado, incluindo avaliação linfonodal conforme o caso e, nas histologias de alto risco, atenção à possibilidade de doença extrauterina.