Paciente de 29 anos, assintomática, veio à consulta para avaliação ginecológica. Trouxe laudos de exames citopatológicos (CP) de colo uterino negativos (dentro da normalidade) realizados aos 25 e aos 26 anos. Há 30 dias, coletou material para novo CP, cujo resultado indicou: Satisfatório para avaliação. Presença de células escamosas, glandulares e metaplásicas. Células escamosas atípicas de significado indeterminado (ASC-US). Flora sugestiva de vaginose.
Pegadinha: esta questão mistura um algoritmo citológico histórico com vaginose incidental. O ponto que define o gabarito é ASC-US aos 29 anos: repetir citologia em 12 meses.
Desde 2025, o Ministério da Saúde adotou DNA-HPV oncogênico como teste primário nas localidades em que o novo rastreamento está implantado.
Papanicolau não é exame diagnóstico de vaginose; flora sugestiva em paciente assintomática não obriga tratamento.
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Contexto
ASC-US significa células escamosas atípicas de significado indeterminado, possivelmente não neoplásicas. Nas Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero de 2016, que embasam o gabarito da questão, mulheres de 25 a 29 anos com ASC-US eram orientadas a repetir a citologia em 12 meses. Colposcopia imediata ficava reservada para alterações de maior risco ou persistência de anormalidade no seguimento.
Há duas atualizações importantes para interpretar a questão hoje. Primeiro, as Diretrizes Brasileiras de 2025 passaram a adotar o teste molecular para DNA-HPV oncogênico como exame primário de rastreamento nas localidades em que a estratégia está implantada. Onde o teste ainda não foi implantado, o rastreamento citológico permanece em uso conforme a organização local. Segundo, flora sugestiva de vaginose em citologia de uma mulher assintomática não é, isoladamente, indicação contemporânea de tratamento: o diagnóstico de vaginose deve ser clínico ou microbiológico apropriado, e o tratamento é dirigido principalmente às pacientes sintomáticas.
Assim, o gabarito B deve ser mantido porque reproduz o algoritmo e a abordagem cobrados pela prova, mas a parte que manda tratar vaginose apenas pelo achado citológico em mulher assintomática não corresponde à prática atual mais criteriosa.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. No algoritmo citológico vigente à época da prova, três meses é intervalo excessivamente curto para ASC-US em paciente de 29 anos. A recomendação era repetir o exame em 12 meses.
B) Correta (gabarito). O componente central correto para a prova é repetir o citopatológico em 12 meses em mulher de 25 a 29 anos com ASC-US. A orientação de tratar a vaginose reflete a abordagem cobrada historicamente; atualmente, em mulher assintomática, flora sugestiva no Papanicolau isoladamente não basta para indicar tratamento.
C) Incorreta. ASC-US isolado nessa faixa etária não indicava colposcopia imediata no algoritmo citológico de 2016. Além disso, repetir a citologia em três meses não correspondia ao seguimento recomendado.
D) Incorreta. O erro principal é antecipar colposcopia para um ASC-US isolado sem critério de maior risco. O seguimento inicial era conservador, com nova citologia no intervalo indicado para a idade.