Paciente feminina, de 45 anos, foi trazida à Emergência por febre alta, calafrios, dor lombar e sintomas urinários. O exame comum de urina revelou piúria e bacteriúria. Foi diagnosticada com pielonefrite aguda, tendo sido iniciada terapia antibiótica intravenosa. Após 24 horas na Sala de Emergência, a paciente evoluiu com sonolência, hipotensão e oligúria. O resultado da gasometria arterial mostrou nível de lactato de 2 mmol/l (valor de referência: 0,5-1,6 mmol/l).
Pegadinha: lactato ajuda a estratificar, mas choque é diagnóstico clínico-hemodinâmico.
Sepsis-3: choque séptico formal exige vasopressor para PAM de pelo menos 65 mmHg mais lactato maior que 2 mmol/L após volume adequado.
Oligúria e alteração do sensório são sinais de hipoperfusão mesmo quando o lactato não está muito elevado.
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Contexto
A paciente tem pielonefrite com deterioração aguda, hipotensão, oligúria e alteração do nível de consciência. Esses achados demonstram disfunção orgânica e hipoperfusão associadas à infecção, configurando sepse e um estado de choque circulatório que exige ressuscitação e monitorização intensiva.
A Surviving Sepsis Campaign de 2026 mantém lactato como marcador importante de gravidade e resposta à ressuscitação, mas lactato não é um teste binário para diagnosticar ou excluir choque. O valor de 2 mmol/L está acima do intervalo de referência informado e deve ser interpretado junto com pressão arterial, diurese, perfusão periférica, estado mental e evolução clínica.
É importante diferenciar o uso genérico de choque na alternativa C da definição formal de choque séptico do Sepsis-3. Para choque séptico, exige-se necessidade de vasopressor para manter pressão arterial média de pelo menos 65 mmHg e lactato maior que 2 mmol/L apesar de reposição volêmica adequada. O enunciado não fornece esses dados após ressuscitação, portanto ainda não permite afirmar formalmente choque séptico pelos critérios Sepsis-3. Mesmo assim, hipotensão, oligúria e alteração neurológica são sinais clínicos de hipoperfusão e justificam UTI.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Lactato é relevante na sepse porque ajuda a reconhecer hipoperfusão e maior risco, além de poder ser acompanhado durante a ressuscitação. Um valor isolado nunca substitui a avaliação hemodinâmica.
B) Incorreta. Elevação do lactato está associada a maior gravidade e pior prognóstico em sepse. Quanto mais alto e mais persistentemente elevado, maior tende a ser o risco, embora outras causas de hiperlactatemia devam ser consideradas.
C) Correta (gabarito). Hipotensão, oligúria e alteração do sensório demonstram choque clínico e disfunção orgânica em uma paciente com infecção grave, justificando internação em UTI. A ressalva é que o enunciado não documenta ainda todos os critérios formais de choque séptico do Sepsis-3.
D) Incorreta. A paciente tem sepse, mas intubação não é automática. Ela deve ser intubada se houver incapacidade de proteger via aérea, falência respiratória, hipoxemia, hipercapnia ou necessidade clínica específica de ventilação mecânica.