Pegadinha: quimiorradioterapia no câncer anal é definitiva, não neoadjuvante.
HPV, especialmente tipo 16, é a associação viral de alto rendimento.
Falha local após quimiorradioterapia chama amputação abdominoperineal de resgate.
HIV e transplante de órgão sólido aumentam risco por imunossupressão e persistência do HPV.
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Contexto
O câncer do canal anal é predominantemente carcinoma de células escamosas e apresenta forte associação com infecção persistente por HPV oncogênico, especialmente HPV 16. Outros fatores de risco incluem tabagismo, HIV, imunossupressão, história de neoplasia intraepitelial anogenital e transplante de órgão sólido.
O NCI PDQ de Câncer Anal, atualizado em 2025, mantém quimiorradioterapia definitiva como padrão de tratamento para a maioria dos tumores de canal anal localizados. O esquema clássico associa radioterapia externa a fluoropirimidina, como 5-fluorouracil ou capecitabina, e mitomicina. A intenção é curativa e preservadora do esfíncter. Portanto, não se trata de quimiorradioterapia neoadjuvante seguida rotineiramente de cirurgia.
Cirurgia radical é reservada principalmente para doença persistente ou recorrente após quimiorradioterapia. A operação de resgate clássica é a amputação abdominoperineal do reto, que remove reto e canal anal e produz colostomia definitiva. Retossigmoidectomia anterior não remove adequadamente o canal anal e não é cirurgia de resgate para tumor residual nesse local.
Receptores de transplante de órgãos sólidos têm maior risco de infecção persistente por HPV e neoplasias relacionadas ao HPV devido à imunossupressão crônica, incluindo neoplasia intraepitelial anal e carcinoma anal.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Herpes-vírus tipo 2 não é o principal agente etiológico. A associação causal central é com HPV de alto risco, particularmente HPV 16.
B) Incorreta. Radioterapia e quimioterapia são realmente a base do tratamento, mas a palavra neoadjuvantes torna a alternativa errada. Na maioria dos carcinomas escamosos do canal anal, a quimiorradioterapia é tratamento definitivo, e não preparação rotineira para cirurgia.
C) Incorreta. Retossigmoidectomia anterior preserva o canal anal e, por isso, não constitui cirurgia adequada de resgate para tumor refratário do próprio canal anal. O procedimento clássico de resgate é amputação abdominoperineal.
D) Correta (gabarito). Receptores de órgãos sólidos apresentam risco aumentado de neoplasias relacionadas ao HPV por causa da imunossupressão crônica, incluindo carcinoma escamoso do canal anal.