Menino de 9 meses, com 8 kg, esteve internado por 24 horas na UPA por vômitos, distensão abdominal e fezes sanguinolentas. Ultrassonografia e radiografia de abdômen confirmaram invaginação intestinal. Foi transferido para um hospital terciário para realização de laparotomia, encontrando-se, à chegada, pálido, prostrado, hipoativo, febril (38o C), com frequência cardíaca de 160 bpm, olhos encovados, pulsos finos e enchimento capilar > 3 segundos. O abdômen estava muito distendido, com a sonda nasogástrica drenando secreção borrácea.
Pegadinha central: choque não se trata com soro de manutenção.
SSC Pediátrica 2026: 10 a 20 ml/kg por bolus, reavaliando após cada expansão.
Para 8 kg, 20 ml/kg = 160 ml.
Cristaloide primeiro; albumina não é a escolha inicial de rotina.
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Contexto
O lactente apresenta choque com hipoperfusão em contexto de provável sepse abdominal: taquicardia intensa, pulsos finos, enchimento capilar > 3 segundos, prostração, febre e perdas para terceiro espaço por obstrução intestinal. Além do controle do foco, culturas e antimicrobianos, é necessária ressuscitação hemodinâmica rápida.
A questão cita o Consenso de Sepse Pediátrica de 2020. A atualização da Surviving Sepsis Campaign Pediátrica de 2026 mantém, em sistemas com suporte intensivo disponível, bolus de 10 a 20 ml/kg de cristaloide, com reavaliação após cada bolus e volume total de até 40 a 60 ml/kg na primeira hora conforme a resposta e ausência de sobrecarga. Cristaloides são preferidos à albumina, e soluções balanceadas são sugeridas quando disponíveis.
Para 8 kg, um bolus de 20 ml/kg corresponde a 160 ml. A resposta deve ser reavaliada por frequência cardíaca, pulsos, enchimento capilar, pressão arterial, nível de consciência, diurese e sinais de congestão. Repetir volume de forma automática sem reavaliação é inadequado.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Fluido de manutenção não reverte rapidamente choque com hipoperfusão. O paciente precisa de expansão volêmica em bolus, além do tratamento antimicrobiano e cirúrgico da causa.
B) Incorreta. Acrescentar perdas ao cálculo de manutenção não substitui a ressuscitação do choque. A necessidade imediata é restaurar volume circulante efetivo.
C) Correta (gabarito). Um bolus de 20 ml/kg de NaCl 0,9% ou Ringer-lactato, administrado rapidamente e seguido de reavaliação da perfusão, está dentro da estratégia recomendada. Em diretrizes atuais, soluções balanceadas são preferidas quando disponíveis.
D) Incorreta. Albumina não é o expansor inicial de escolha. As diretrizes preferem cristaloides na ressuscitação inicial da sepse pediátrica.