Paciente de 35 anos, que trabalha em usina de reciclagem de lixo, veio à consulta na UBS por apresentar prurido há 2 meses, principalmente nas mãos e nas regiões do tronco e inguinal. Não havia outras queixas ou comorbidades. Informou que o prurido era maior à noite após o banho e que sua companheira tinha queixas parecidas. Ao exame, visualizaram-se algumas lesões cutâneas superficiais, escoriadas, papulovesiculosas e simétricas na superfície volar dos punhos, nos espaços interdigitais; algumas ao redor da cintura e da cicatriz umbilical; outras nas axilas, nádegas e na parte superior das coxas. No pênis e no saco escrotal, eram visíveis pequenas pápulas e vesículas com raras placas eczematosas.
Pegadinha: coçar depois do tratamento não significa automaticamente que ainda há ácaros vivos.
Trate contatos próximos simultaneamente para evitar o efeito pingue-pongue.
Ivermectina oral para escabiose clássica, quando indicada: duas doses separadas por 7 a 14 dias.
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Contexto
O quadro é clássico de escabiose: prurido intenso com piora noturna, lesões papulovesiculosas e escoriadas nos espaços interdigitais, punhos, cintura, umbigo, axilas, nádegas e genitais, além de sintomas semelhantes na parceria domiciliar. A transmissão ocorre principalmente por contato pele a pele prolongado.
Na escabiose clássica, opções de primeira linha incluem permetrina 5% tópica e ivermectina oral em situações apropriadas. O CDC orienta que a ivermectina, quando utilizada, seja administrada em duas doses de 200 microgramas/kg, separadas por 7 a 14 dias. A permetrina pode necessitar nova aplicação cerca de uma semana depois, dependendo do protocolo e da resposta.
Todos os contatos domiciliares e sexuais próximos devem ser tratados de forma simultânea para reduzir reinfestação. Roupas, toalhas e roupas de cama recentemente utilizadas devem ser lavadas com calor ou isoladas pelo período recomendado quando lavagem não for possível.
Prurido pode persistir por algumas semanas após tratamento eficaz devido à reação de hipersensibilidade aos antígenos do ácaro e seus produtos. Prurido residual isolado não significa falha terapêutica. Persistência de novas lesões típicas, novos sulcos ou ácaros vivos é mais sugestiva de tratamento inadequado, reinfestação ou resistência.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A escabiose pode recidivar por reinfestação de contatos não tratados e pela baixa atividade ovicida de alguns esquemas, mas não se recomenda repetir tratamento tópico rotineiramente a cada 3 dias. O intervalo habitual é mais longo e depende do agente utilizado.
B) Correta (gabarito). Prurido pós-escabiose pode permanecer por semanas mesmo depois da erradicação do ácaro. O fenômeno decorre da inflamação e hipersensibilidade residual e não deve ser interpretado isoladamente como falha terapêutica.
C) Incorreta. Não existe regra única de repetir todo tratamento oral e tópico exatamente em 2 semanas. Ivermectina costuma ser repetida em 7 a 14 dias, enquanto os esquemas tópicos variam conforme o medicamento e protocolo.
D) Incorreta. Corticosteroide tópico de baixa potência pode ser útil em casos selecionados para controlar eczema e prurido residual após tratamento adequado da infestação. A prevenção de recidiva depende principalmente de tratar contatos e evitar reinfestação.