Paciente com 27 semanas de gestação foi trazida à Emergência por dor retroesternal de início agudo. À admissão, informou seu histórico de cardiopatia isquêmica. Eletrocardiograma mostrou elevação do segmento ST e aumento dos níveis de troponina e de creatinoquinase (CK), compatíveis com diagnóstico de síndrome coronariana aguda. Durante a avaliação, a paciente evoluiu para parada cardiorrespiratória. Chamado, o médico plantonista da Obstetrícia chegou ao local cerca de 5 minutos após o início das manobras de reanimação, sem resposta.
Pegadinha: a cesariana na parada materna é uma manobra de ressuscitação da mãe, não uma tentativa feita apenas para salvar o feto.
AHA 2025: preparar desde o reconhecimento da parada e buscar completar o parto até 5 minutos se não houver ROSC.
Gestante pode e deve ser desfibrilada quando indicado. Retire monitores fetais e concentre a equipe na RCP materna.
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Contexto
Na parada cardiorrespiratória durante a gestação, a prioridade continua sendo a ressuscitação materna de alta qualidade. A partir de uma altura uterina no nível ou acima do umbigo, o útero gravídico causa compressão aortocava importante em decúbito dorsal, reduzindo retorno venoso e débito gerado pelas compressões. Por isso, deve-se realizar deslocamento uterino manual para a esquerda durante a RCP.
As Diretrizes da American Heart Association de 2025 orientam preparar o parto ressuscitativo desde o reconhecimento da parada e, se não houver retorno da circulação espontânea, buscar completar o parto até 5 minutos. O objetivo principal da histerotomia ressuscitativa é melhorar a ressuscitação materna, aliviando a compressão aortocava e devolvendo parte do volume uteroplacentário à circulação sistêmica. O benefício fetal é adicional.
A recomendação clássica era iniciar a incisão por volta de 4 minutos para obter o nascimento até 5 minutos. A diretriz de 2025 enfatiza ainda mais a preparação imediata, sem esperar passivamente quatro minutos para organizar a equipe. Aos 27 semanas, o útero está suficientemente aumentado para que esse princípio se aplique. Como o obstetra chegou cerca de 5 minutos após o início da RCP sem retorno da circulação, deve iniciar o procedimento imediatamente no local da ressuscitação.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Ultrassonografia fetal e Doppler não têm prioridade durante parada materna e não devem atrasar RCP ou parto ressuscitativo. O desfecho fetal depende primeiro da restauração da circulação materna.
B) Incorreta. Transferir uma paciente durante RCP pode interromper compressões e atrasar o procedimento que alivia a compressão aortocava. O parto ressuscitativo deve ser realizado no local da parada quando a indicação está presente.
C) Incorreta. Desfibrilação não é contraindicada na gestação e deve ser feita com as mesmas indicações de ritmo da população geral. Cardiotocografia não deve ser instalada durante uma parada de modo a atrasar a ressuscitação, e a decisão de parto ressuscitativo é materna, não baseada em categoria fetal.
D) Correta (gabarito). Após aproximadamente 5 minutos de RCP sem retorno da circulação em uma gestante de 27 semanas, deve-se iniciar imediatamente a histerotomia ou cesariana ressuscitativa. A laparotomia mediana longitudinal é uma via rápida de acesso e compatível com o caráter emergencial.