Puérpera relatou, na consulta de revisão, vir ocorrendo labilidade emocional, irritabilidade, insônia, tristeza e problemas com a amamentação, que comprometiam o cuidado do filho, quadro com início há 7 dias.
Pegadinha: blues costuma resolver em até 2 semanas, mas prejuízo funcional importante ou risco exige investigação antes disso.
Blues recebe suporte; depressão recebe psicoterapia e, conforme gravidade, antidepressivo; psicose é emergência.
No puerpério, sempre pergunte diretamente sobre suicídio, pensamentos de machucar o bebê e sintomas psicóticos quando o sofrimento é intenso.
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Contexto
O blues puerperal, ou tristeza materna transitória, surge tipicamente nos primeiros dias após o parto e pode incluir labilidade emocional, choro fácil, irritabilidade, ansiedade, insônia e tristeza. O quadro costuma atingir o pico na primeira semana e resolver espontaneamente em até 10 a 14 dias. O manejo é suporte, orientação, descanso, ajuda prática, apoio à amamentação e seguimento próximo, sem indicação automática de antidepressivo.
A OMS, nas recomendações de cuidado pós-natal de 2022, reforça a importância do rastreamento de depressão e ansiedade no puerpério e do encaminhamento quando necessário. Isso é especialmente relevante nesta questão porque o enunciado diz que os sintomas estão comprometendo o cuidado do filho. Embora o gabarito use o início há 7 dias para enquadrar o caso como blues, prejuízo funcional importante é um sinal de alerta e exige avaliação ativa para depressão pós-parto, além de pesquisa de ideação suicida, pensamentos de machucar o bebê, sintomas psicóticos e história de transtorno bipolar.
Depressão pós-parto não é definida apenas pela passagem de 14 dias. Sintomas intensos, persistentes, anedonia, culpa, desesperança ou prejuízo funcional significativo podem justificar diagnóstico e tratamento antes desse marco. Psicose puerperal é emergência psiquiátrica e costuma apresentar delírios, alucinações, desorganização, mania, agitação ou confusão, com risco para mãe e bebê.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). O início há apenas 7 dias e a combinação de labilidade emocional, irritabilidade, insônia e tristeza permitem o diagnóstico de blues puerperal na lógica da prova. A conduta é acolher, explicar o caráter geralmente transitório e oferecer apoio. Na prática atual, a palavra tranquilizar não deve significar minimizar o quadro: como há prejuízo no cuidado do bebê, é necessário rastrear depressão e risco e programar reavaliação próxima.
B) Incorreta. Sertralina e paroxetina podem ser utilizadas no tratamento de depressão pós-parto, inclusive em muitas lactantes, e psicoterapia é tratamento apropriado. Contudo, a questão enquadra o quadro como blues puerperal de uma semana, para o qual não se inicia antidepressivo automaticamente. Essa alternativa seria adequada se a avaliação confirmasse depressão clinicamente significativa.
C) Incorreta. Não há delírios, alucinações, mania, agitação grave ou desorganização que indiquem psicose puerperal. Além disso, clozapina não é um antipsicótico de primeira escolha rotineira para uma psicose pós-parto aguda devido ao seu perfil de segurança e necessidade de monitorização hematológica.
D) Incorreta. Internação é indicada quando há risco relevante de suicídio, infanticídio, psicose, mania grave ou incapacidade de garantir segurança. O enunciado não descreve esses elementos. O comprometimento do cuidado, entretanto, obriga avaliação cuidadosa e seguimento, mesmo que não justifique internação por si só.