Pegadinha: resposta ao analgésico não exclui cefaleia secundária grave.
Trovoada significa pico de intensidade em até aproximadamente 1 minuto.
Esforço, tosse e Valsalva como gatilho de cefaleia nova são red flags.
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Contexto
A avaliação de cefaleia na emergência deve primeiro separar padrões primários benignos de cefaleias secundárias potencialmente graves. Sinais de alarme incluem início súbito e máximo em segundos ou poucos minutos, déficit neurológico, febre ou rigidez de nuca, imunossupressão, câncer, gestação ou puerpério, idade de início atípica, papiledema, alteração progressiva do padrão e precipitação por esforço, tosse ou manobra de Valsalva.
Cefaleia em trovoada é aquela que atinge intensidade máxima em até cerca de 1 minuto e exige investigação urgente de hemorragia subaracnoidea e outros diagnósticos vasculares, incluindo síndrome de vasoconstrição cerebral reversível, dissecção arterial e trombose venosa cerebral. Cefaleia nova desencadeada por exercício ou Valsalva também exige exclusão de lesões estruturais ou alterações de pressão intracraniana antes de ser classificada como primária.
Resposta a analgésico, triptano, antagonista serotoninérgico ou cetorolaco não prova benignidade. Cefaleias secundárias podem melhorar temporariamente com analgesia. Da mesma forma, hipertensão pode ser consequência da dor ou parte de uma emergência hipertensiva e não serve para tranquilizar o examinador.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Melhorar com tratamento sintomático não exclui hemorragia subaracnoidea, meningite, dissecção, tumor ou outras causas secundárias. A decisão de investigar depende do padrão clínico e dos sinais de alarme.
B) Correta (gabarito). Cefaleia em trovoada é um dos sinais de alarme mais importantes, e dor precipitada por exercício, tosse ou Valsalva também exige investigação de causa secundária antes de receber diagnóstico de cefaleia primária.
C) Incorreta. Hipertensão não afasta causa grave. Pressão elevada pode ser reativa à dor ou pode acompanhar condições neurológicas e cardiovasculares graves.
D) Incorreta. Pessoa vivendo com HIV mantém condição de imunossupressão potencial ou histórica e tem espectro diagnóstico modificado. Cefaleia nova deve ser interpretada conforme CD4, carga viral, sintomas sistêmicos e exame neurológico, e pode exigir investigação adicional mesmo com tratamento regular.