Após falha na indução do parto vaginal e em razão de sofrimento fetal agudo, foi realizada cesariana em uma paciente com 39 semanas de gestação. Não havia registro de comorbidades no pré-natal. O recém-nascido apresentou cianose e não chorou. Após o clampeamento imediato do cordão umbilical, foi levado ao berço de reanimação, secado, estimulado e avaliado. A frequência cardíaca era de 30 bpm e observou-se apneia.
Pegadinha central: FC de 30 bpm assusta, mas no neonato a primeira medida ainda é ventilar.
VPP: apneia, gasping ou FC < 100 bpm após os passos iniciais.
Compressões: somente se FC continuar < 60 bpm após 30 segundos de VPP efetiva.
Na reanimação neonatal, aumento da FC é o melhor sinal de que a ventilação está funcionando.
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Contexto
Na reanimação neonatal, a bradicardia grave quase sempre é consequência de ventilação pulmonar inadequada. As Diretrizes AHA/AAP de Reanimação Neonatal 2025 recomendam iniciar ventilação com pressão positiva em até 60 segundos quando o recém-nascido permanece em apneia, apresenta gasping ou frequência cardíaca < 100 bpm após os passos iniciais. A resposta mais importante à ventilação efetiva é a elevação da frequência cardíaca.
Neste caso, o recém-nascido está apneico e com frequência cardíaca de 30 bpm. Apesar de esse valor ser < 60 bpm, as compressões torácicas não vêm antes da ventilação. Deve-se iniciar VPP e verificar expansão torácica e resposta da frequência cardíaca. Compressões são indicadas se a frequência cardíaca permanecer < 60 bpm após 30 segundos de ventilação efetiva que mova o tórax, preferencialmente após otimização da via aérea.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Massagem cardíaca e acesso venoso umbilical não são a primeira etapa. Mesmo com FC de 30 bpm, deve-se primeiro estabelecer ventilação pulmonar efetiva, pois a hipóxia é a causa habitual da bradicardia neonatal.
B) Correta (gabarito). A apneia associada a FC < 100 bpm exige VPP imediata. Máscara facial com dispositivo capaz de fornecer pressão positiva é uma interface inicial apropriada, com avaliação da movimentação torácica e da elevação da frequência cardíaca.
C) Incorreta. Intubação pode ser necessária se a ventilação por máscara for ineficaz, se houver necessidade de compressões após correção da ventilação ou em situações específicas. Não é a primeira intervenção obrigatória no recém-nascido apneico.
D) Incorreta. Oxigênio por funil fornece oxigênio suplementar, mas não produz ventilação alveolar em um recém-nascido apneico. O problema imediato é ausência de ventilação, não apenas baixa concentração inspirada de oxigênio.