Paciente de 72 anos, trazido à consulta, encontrava-se alerta, porém falava pouco e de forma incompreensível; obedecia a comandos, mas não nomeava objetos. Foi constatada, também, perda de força no lado direito do corpo, com sinal de Babinski à direita.
Pegadinha: fala ruim não é sempre disartria. Anomia é linguagem e aponta para afasia.
Broca: fala não fluente, esforço para produzir palavras e compreensão relativamente preservada.
Afasia mais déficit motor direito localiza a lesão no hemisfério dominante esquerdo, frequentemente território da cerebral média.
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Contexto
O paciente está alerta e obedece a comandos, portanto a alteração da fala não pode ser atribuída a rebaixamento global da consciência. Ele fala pouco, de forma pouco compreensível e não consegue nomear objetos, enquanto a compreensão está relativamente preservada. Esse conjunto caracteriza afasia de expressão, ou afasia de Broca, e não simples disartria. Disartria é um distúrbio motor da articulação da fala, mas preserva a formulação da linguagem, inclusive nomeação e escolha das palavras.
A área de Broca situa-se no giro frontal inferior do hemisfério dominante, quase sempre o esquerdo. Lesões nessa região produzem linguagem não fluente, esforço para falar, redução da produção verbal e anomia, com compreensão relativamente preservada. Uma lesão vascular da divisão superior da artéria cerebral média esquerda é uma causa clássica desse padrão.
A hemiparesia direita associada ao sinal de Babinski à direita constitui síndrome piramidal de primeiro neurônio motor. Como as fibras corticoespinais cruzam no bulbo, uma lesão supratentorial esquerda produz déficit motor à direita. A associação entre afasia de Broca e hemiparesia direita localiza a lesão no córtex frontal esquerdo, envolvendo a rede da linguagem e áreas motoras adjacentes.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A topografia frontal esquerda é plausível, mas o diagnóstico de linguagem está errado. A incapacidade de nomear objetos demonstra alteração linguística cortical, enquanto disartria isolada preservaria a linguagem e comprometeria apenas a execução motora da fala.
B) Incorreta. O paciente está alerta e segue comandos, portanto não está obnubilado. Além disso, Babinski e hemiparesia por lesão cortical correspondem a síndrome de primeiro neurônio motor, não de segundo neurônio.
C) Correta (gabarito). Afasia de expressão com hemiparesia e Babinski à direita localiza a lesão no frontal esquerdo dominante, envolvendo a área de Broca e estruturas motoras corticais ou subcorticais adjacentes.
D) Incorreta. A síndrome motora é de primeiro neurônio, e uma lesão isolada da cápsula interna pode causar hemiparesia pura, mas não explica adequadamente uma afasia cortical de expressão.