Paciente masculino, de 50 anos, sem comorbidades, foi internado por politrauma em decorrência de queda de motocicleta. Não houve necessidade de intervenções cirúrgicas, exceto drenagem de pneumotórax à direita (o dreno foi retirado após 7 dias do acidente). A intubação orotraqueal, com tubo 7, foi realizada na cena do acidente; e a extubação, após 12 dias, sem realização de traqueostomia. A alta hospitalar ocorreu 20 dias após a internação. Transcorrido 1 mês da alta, passou a apresentar dispneia, de caráter progressivo ao longo das semanas seguintes, acompanhada de tosse seca. Veio agora à Emergência após iniciar com estridor e esforço ventilatório.
Pegadinha: dispneia e estridor semanas após intubação não são asma até prova em contrário. Pense em estenose traqueal pós-intubação.
Broncoscopia é simultaneamente diagnóstica e terapêutica.
Cirurgia é mais definitiva em estenose complexa, mas a dilatação endoscópica pode resolver ou estabilizar a obstrução inicial.
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Contexto
Dispneia progressiva e tosse seca surgindo semanas após intubação prolongada, seguidas de estridor e esforço respiratório, formam quadro clássico de estenose traqueal pós-intubação. A lesão decorre de isquemia da mucosa provocada principalmente pela pressão do cuff ou pelo trauma da cânula, seguida de ulceração, formação de tecido de granulação, fibrose circunferencial e redução progressiva do lúmen.
Os sintomas costumam aparecer depois que o diâmetro traqueal já foi significativamente reduzido. Estridor sugere obstrução de via aérea central e deve ser diferenciado de sibilância de asma. A broncoscopia é central porque define localização, comprimento, diâmetro residual, aspecto da cicatriz e presença de malácia, além de permitir intervenção imediata.
Em paciente com obstrução sintomática importante, broncoscopia rígida com dilatação mecânica ou por balão pode restaurar rapidamente o lúmen e estabilizar a via aérea. Técnicas endoscópicas podem ser definitivas em estenoses simples e curtas ou servir como ponte. Estenoses complexas, longas, com dano cartilaginoso ou recorrência após tratamento endoscópico podem exigir ressecção traqueal e anastomose ou reconstrução cirúrgica.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Broncodilatadores tratam broncoespasmo de pequenas vias aéreas e não corrigem uma obstrução cicatricial fixa da traqueia. Corticoide sistêmico também não reverte uma estenose fibrosa madura.
B) Correta (gabarito). A broncoscopia confirma a estenose e permite dilatação imediata, abordagem adequada diante de estridor e esforço ventilatório por obstrução traqueal. Depois da estabilização, define-se se o paciente precisa de tratamento endoscópico adicional ou cirurgia definitiva.
C) Incorreta. Cricotireoidostomia cria uma via aérea na região cricotireóidea e pode não ultrapassar uma estenose situada abaixo desse nível. Em estenose traqueal, uma via cirúrgica mal posicionada pode não resolver a obstrução e ainda dificultar reconstrução futura.
D) Incorreta. Reconstrução ou ressecção traqueal pode ser o tratamento definitivo de estenose complexa, mas não é a primeira manobra em um paciente que chega com obstrução sintomática sem caracterização anatômica completa. Primeiro é preciso assegurar a via aérea e definir a lesão.