Pegadinha: gestação não impede exame especular, mas o rastreamento cervical brasileiro mudou em 2025 e hoje pode ser postergado para o puerpério em gestantes de risco padrão.
CMV não é sorologia universal de rotina no pré-natal.
GBS é questão de final de gestação, não de segundo trimestre.
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Contexto
No pré-natal de risco habitual, o exame ginecológico é orientado pelas necessidades clínicas da gestante. O exame especular pode ser realizado com segurança quando indicado para avaliar colo, vagina, sangramento, corrimento ou lesões. Historicamente, os manuais brasileiros também orientavam aproveitar o pré-natal para coletar citologia cervical quando a gestante estava com o rastreamento atrasado, que é a lógica usada pelo gabarito.
Há uma atualização importante. As Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero de 2025 passaram a priorizar o teste de DNA-HPV oncogênico e consideram que, em mulheres grávidas de risco padrão, a gestação não é o momento ideal para o rastreamento de rotina. A avaliação clínica do colo deve fazer parte do pré-natal, mas o teste de rastreamento pode ser postergado para a revisão puerperal quando não houver suspeita clínica. Portanto, o gabarito C deve ser mantido como resposta da referência utilizada pela prova, com a ressalva de que o programa atual mudou.
Também não se recomenda rastreamento universal de citomegalovírus em gestantes assintomáticas. A suplementação do pré-natal é dirigida, com destaque para ácido fólico no período periconcepcional e ferro conforme protocolo, e não para polivitamínico universal como regra. A pesquisa de Streptococcus do grupo B, quando adotada, é realizada no final do terceiro trimestre, e não no segundo.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Citomegalovírus não integra rastreamento sorológico universal do pré-natal de risco habitual. A rubéola tem importância para avaliação de imunidade e planejamento vacinal, mas a alternativa erra ao reunir rubéola e CMV como sorologias universais obrigatórias por causa de alta prevalência.
B) Incorreta. Não existe recomendação geral de iniciar um polivitamínico completo para todas as gestantes. A suplementação é direcionada às necessidades do pré-natal, especialmente ácido fólico e ferro segundo fase gestacional, dieta, exames e protocolo assistencial.
C) Correta (gabarito). Na referência histórica cobrada, o exame especular podia ser realizado e o material para citologia era coletado se a gestante tivesse indicação de rastreamento. Na diretriz brasileira de 2025, a avaliação clínica do colo continua apropriada, mas o rastreamento de rotina com DNA-HPV em gestante de risco padrão pode aguardar o puerpério.
D) Incorreta. A pesquisa de colonização por Streptococcus do grupo B não é feita rotineiramente no segundo trimestre. Quando o rastreamento universal é adotado, a coleta vaginal e retal é programada para o final do terceiro trimestre, mais próxima do parto.