Gestante deu à luz um recém-nascido masculino, a termo, por parto vaginal. Na Caderneta da Gestante, constavam registros de 8 consultas pré-natais, teste rápido para sífilis positivo e VDRL de 1:2, amostras coletadas no primeiro trimestre de gestação. A gestante comprovou ter recebido 7.200.000 unidades de penicilina benzatina por 3 semanas, com intervalo nas doses de 1 semana cada, ainda no primeiro trimestre. Titulações de VDRL realizadas no segundo e no terceiro trimestres indicaram resultado de 1:2 e, por ocasião da admissão no Centro Obstétrico, de 1:1. O parceiro recebeu e realizou tratamento concomitantemente. A paciente referiu diagnóstico de sífilis em gestação anterior há 2 anos e apresentou comprovante de tratamento adequado e redução do VDRL de 1:16 para 1:2.
Pegadinha central: VDRL baixo persistente após queda adequada pode ser cicatriz sorológica, não falha terapêutica.
Reinfecção ou falha é sugerida por aumento sustentado do título, especialmente elevação de duas diluições.
RN de mãe com sorologia reagente deve ter teste não treponêmico em sangue periférico ao nascimento.
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Contexto
O PCDT do Ministério da Saúde para sífilis e prevenção da transmissão vertical define cicatriz sorológica como persistência de teste não treponêmico em baixo título após tratamento prévio adequado, com documentação de queda de pelo menos duas diluições e ausência de evidência de reinfecção. O exemplo clássico é VDRL que cai de 1:16 para 1:4 ou menos e permanece baixo e estável.
Nesta paciente há comprovação de tratamento adequado na gestação anterior e queda do VDRL de 1:16 para 1:2. Na gestação atual, os títulos permaneceram muito baixos, 1:2 e depois 1:1, sem elevação de duas diluições e com parceiro tratado. Isso favorece cicatriz sorológica, não nova infecção ativa.
Mesmo quando a mãe tem tratamento prévio adequado ou cicatriz sorológica, o Ministério da Saúde recomenda realizar teste não treponêmico em sangue periférico do recém-nascido quando houve sorologia materna reagente, idealmente com coleta simultânea materna para comparação dos títulos. Sangue de cordão não deve ser usado para essa finalidade.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A interpretação de cicatriz sorológica está correta, mas isso não dispensa avaliação sorológica do recém-nascido. Deve-se obter VDRL ou outro teste não treponêmico em sangue periférico neonatal.
B) Correta (gabarito). O padrão materno é compatível com cicatriz sorológica e a conduta inicial inclui titulação de VDRL do recém-nascido ao nascimento para comparação com o título materno e definição do seguimento.
C) Incorreta. Embora a paciente tenha recebido novo esquema de penicilina na gestação atual, o conjunto histórico mostra que o baixo título já existia após tratamento documentado anterior, caracterizando cicatriz sorológica, e não necessariamente sífilis adquirida e tratada nesta gestação.
D) Incorreta. Não há evidência de tratamento materno inadequado ou reinfecção que justifique, de saída, investigação neonatal ampliada com radiografia de ossos longos e punção lombar.