Vítima de colisão automobilística de alta energia foi trazida pelo SAMU à Emergência. A inspeção inicial revelou hematoma no local do cinto de segurança, impressão do volante na região superior do tórax, deformidade lateral e assimetria focal da expansão com movimento paradoxal de segmento da parede torácica durante a respiração. Hemodinamicamente, o paciente encontrava-se estável. À radiografia de tórax, foram constatados, além de fraturas de 4 costelas adjacentes em 2 sítios cada, mediastino sem alargamento e esterno sem deformidades ou fraturas.
Pegadinha central: movimento paradoxal identifica o segmento instável.
Definição anatômica clássica: pelo menos 3 costelas adjacentes fraturadas em 2 pontos.
Intubação não é automática; a necessidade depende de oxigenação, ventilação, fadiga e lesões associadas.
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Contexto
Tórax instável é uma lesão da parede torácica produzida por múltiplas fraturas costais que criam um segmento sem continuidade mecânica com o restante da caixa torácica. A definição anatômica clássica envolve pelo menos 3 costelas adjacentes fraturadas em 2 pontos cada. Quando esse segmento apresenta movimento paradoxal durante a respiração, há flail chest clínico.
A repercussão respiratória resulta não apenas da instabilidade da parede, mas principalmente da dor, restrição ventilatória e contusão pulmonar frequentemente associada. O tratamento inicial inclui analgesia adequada, higiene pulmonar, oxigenação e suporte ventilatório conforme necessidade.
Ventilação invasiva não é obrigatória apenas pela presença de tórax instável. O gabarito D deve ser interpretado como reconhecimento de que o suporte ventilatório é a intervenção respiratória associada ao diagnóstico quando há repercussão clínica.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Lesão aórtica deve ser lembrada em trauma de alta energia, mas o achado específico do caso é movimento paradoxal com 4 costelas adjacentes fraturadas em dois pontos. Mediastino não alargado também reduz, embora não elimine, essa suspeita.
B) Incorreta. O sinal do cinto pode justificar investigação abdominal conforme mecanismo e exame, mas não explica o segmento torácico paradoxal descrito.
C) Incorreta. Não há elementos de tamponamento ou pneumotórax hipertensivo. Além disso, pericardiocentese e drenagem torácica só seriam indicadas diante desses diagnósticos específicos.
D) Correta (gabarito). Fraturas múltiplas em dois pontos com movimento paradoxal definem tórax instável. O manejo inclui analgesia e suporte ventilatório não invasivo ou invasivo conforme a repercussão respiratória.