Criança de 2 anos e 1 mês foi internada na Enfermaria proveniente da Emergência. Na lista de problemas, constava “quarto episódio de internação por bronquiolite viral aguda” (vírus isolado no primeiro episódio de sibilância: rinovírus). Revisando outros aspectos da história, verificou-se que a criança nascera a termo, tinha crescimento e desenvolvimento adequados, estava com as vacinas em dia e vinha em uso de hidratante para dermatite atópica. Frequentava a pré-escola em turno integral desde os 4 meses. Os pais eram hígidos, e o irmão de 12 anos fazia uso regular de formoterol, budesonida e tiotrópio inalatórios. A mãe relatou que o quadro agudo atual havia começado com coriza e tosse produtiva. Teve um pico febril de 37,9o C na chegada ao hospital, há 24 horas. Ao exame físico, apresentava bom estado geral, frequência respiratória de 38 mpm, tiragem subcostal leve e sibilos polifônicos expiratórios bilaterais. Oxímetro de pulso mostrou saturação de 96%, com suplementação de oxigênio por cânula nasal de baixo fluxo a 0,4 l/min. Radiografia de tórax revelou hiperinsuflação bilateral e opacidades intersticiais peri-hilares. Na prescrição da Emergência, estavam registrados os seguintes itens: (1) dieta por via oral; (2) oxigênio por cânula nasal de baixo fluxo a 0,4 l/min; (3) aspiração nasal, se necessário.
Pegadinha central: nem todo chiado viral em criança pequena é bronquiolite.
Sibilância recorrente + atopia + história familiar aumenta muito a probabilidade de asma.
Broncoespasmo agudo pede SABA, como salbutamol, por via inalatória.
Hiperinsuflação combina mais com obstrução brônquica do que com pneumonia bacteriana focal.
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Contexto
A chave da questão é reconhecer que uma criança de 2 anos e 1 mês com episódios recorrentes de sibilância, dermatite atópica e forte história familiar de asma não deve ter cada nova crise rotulada automaticamente como bronquiolite. Bronquiolite é predominantemente doença do primeiro e segundo anos de vida, geralmente no primeiro episódio de sibilância associado a infecção viral.
O GINA 2026 reforça que, em crianças com 5 anos ou menos, episódios recorrentes de chiado associados a fatores de risco atópicos e resposta a broncodilatador aumentam a probabilidade de asma. O rinovírus no primeiro episódio também se associa a maior risco posterior de sibilância recorrente e asma, especialmente em crianças atópicas.
Na exacerbação de asma ou sibilância recorrente, o broncodilatador de resgate é um beta-2 agonista de curta ação, como salbutamol, preferencialmente por aerossol dosimetrado com espaçador quando a criança consegue utilizar o dispositivo adequadamente com máscara ou bocal conforme idade.
A saturação é 96% mesmo com fluxo mínimo de oxigênio e o desconforto é leve, portanto não há indicação de simplesmente dobrar o fluxo. A criança está em bom estado geral e não há descrição de incapacidade para alimentação oral. O padrão radiográfico de hiperinsuflação e opacidades intersticiais peri-hilares, sem consolidação focal, também não sustenta pneumonia bacteriana como explicação principal.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Aumentar oxigênio sem indicação não trata o mecanismo principal, que é broncoespasmo. A necessidade de oxigênio deve ser titulada pela saturação e pelo quadro clínico.
B) Incorreta. Sonda nasogástrica é reservada para criança que não consegue manter hidratação ou alimentação oral com segurança. O enunciado não descreve fadiga importante, vômitos persistentes ou incapacidade de alimentação.
C) Correta (gabarito). O fenótipo é de sibilância recorrente com alta probabilidade de asma. Salbutamol inalatório com espaçador deve ser incluído para tratar o broncoespasmo agudo.
D) Incorreta. Não há febre relevante persistente, toxemia, consolidação focal ou outro dado que indique pneumonia bacteriana e justifique amoxicilina.