Lactente de 2 anos, com pneumonia sendo tratada com antibióticos, foi trazido à Emergência por quadro de diarreia. Devido ao estado nutricional, foi indicada internação. Ao exame físico, apresentava-se eupneico, emagrecido e desidratado (grau 2), com saturação de oxigênio de 99%. As medidas antropométricas revelaram peso de 8.240 g (peso/idade: Z -3,6), altura de 76,5 cm (altura/idade: Z -4,14), peso/altura: Z -2,15; IMC de 14 kg/m2 (Z -1,39); perímetro braquial de 11,4 cm (perímetro braquial/idade: Z -3,76) e perímetro cefálico de 47 cm (Z -1,11).
Pegadinha central: MUAC <11,5 cm basta para definir desnutrição aguda grave em 6-59 meses.
Edema não é obrigatório: peso/altura <-3 Z ou MUAC <11,5 cm também fecham gravidade.
Na estabilização, não tente recuperação ponderal rápida; primeiro corrija ameaças metabólicas e clínicas.
F-75 pertence à fase de estabilização; maior densidade energética entra depois, na transição e reabilitação.
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Contexto
A criança tem desnutrição aguda grave porque apresenta perímetro braquial de 11,4 cm. No curso da Organização Mundial da Saúde sobre manejo hospitalar da desnutrição aguda grave, crianças de 6 a 59 meses são classificadas como gravemente desnutridas quando apresentam perímetro braquial <11,5 cm, peso para comprimento/altura <-3 escores Z ou edema nutricional bilateral.
Esses critérios são alternativos, não cumulativos. Portanto, um índice antropométrico aparentemente menos alterado não anula outro critério de gravidade. Neste caso, o IMC para idade de Z -1,39 não exclui desnutrição aguda grave porque o perímetro braquial já preenche o ponto de corte diagnóstico.
O manejo hospitalar é dividido em fases. Na estabilização, a prioridade é tratar hipoglicemia, hipotermia, desidratação com cautela, distúrbios eletrolíticos e infecção, além de iniciar alimentação terapêutica de baixa carga proteica e energética, tipicamente F-75. A recuperação ponderal rápida não é a meta inicial. Depois da estabilização ocorre transição para a fase de reabilitação, com oferta energética maior e recuperação do crescimento.
Esta criança ainda apresenta pneumonia em tratamento, diarreia e desidratação, o que reforça a necessidade de manejo hospitalar. A indicação não depende da presença de edema +++.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. A primeira etapa realmente é a estabilização, mas nessa fase não se oferece dieta plena visando ganho ponderal acelerado. A alimentação deve ser cautelosa, com fórmula terapêutica apropriada e correção das complicações metabólicas e infecciosas.
B) Correta (gabarito). O perímetro braquial de 11,4 cm está abaixo de 11,5 cm e, isoladamente, já define desnutrição aguda grave na faixa de 6 a 59 meses. O IMC para idade acima de -2 não anula esse critério.
C) Incorreta. Edema nutricional não é obrigatório para o diagnóstico. Crianças sem edema podem ter desnutrição aguda grave por baixo perímetro braquial ou peso para altura muito reduzido.
D) Incorreta. IMC acima de -2 não permite classificar globalmente a criança como eutrófica quando outro indicador validado demonstra desnutrição grave. Além disso, as complicações clínicas exigem estabilização e plano nutricional antes da alta.