Pegadinha central: comeu, doeu, passou a ter medo de comer = isquemia mesentérica crônica.
Crônica é aterosclerótica; embolia por FA lembra forma aguda.
Artéria mesentérica superior é o território mais importante para sintomas.
Perda de peso ocorre muitas vezes porque o paciente evita comer, e não por malabsorção primária.
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Contexto
A isquemia mesentérica crônica resulta, na maioria das vezes, de aterosclerose das artérias mesentéricas. O sintoma clássico é dor abdominal pós-prandial, porque a alimentação aumenta a demanda de fluxo sanguíneo intestinal e uma circulação estenosada não consegue acompanhar essa necessidade.
Diretrizes vasculares contemporâneas descrevem a dor como epigástrica ou mesogástrica, em cólica ou peso, surgindo tipicamente 15-30 minutos após a refeição e podendo persistir por horas. A repetição da dor faz o paciente reduzir voluntariamente a alimentação, produzindo food fear e perda ponderal.
A circulação colateral intestinal é extensa. Por isso, muitos pacientes só se tornam sintomáticos quando há doença significativa de mais de um território, embora doença isolada importante da artéria mesentérica superior também possa causar sintomas.
Malabsorção importante pode ocorrer em doença muito avançada, mas não é a manifestação predominante. Embolia de origem cardíaca, especialmente na fibrilação atrial, é mecanismo clássico de isquemia mesentérica aguda.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Alteração grave da absorção não é o achado predominante na maioria dos casos. O padrão típico é dor pós-prandial com restrição alimentar e perda de peso.
B) Incorreta. Embolia por fibrilação atrial caracteriza principalmente isquemia mesentérica aguda. A forma crônica é geralmente aterosclerótica.
C) Correta (gabarito). A dor que aparece aproximadamente 15-20 minutos após comer é uma descrição clássica da insuficiência de fluxo mesentérico crônica.
D) Incorreta. Artéria mesentérica superior e tronco celíaco são os vasos mais relevantes. A artéria mesentérica inferior isolada raramente é o principal território responsável pelos sintomas devido à rica circulação colateral.