Primigesta de 29 anos, com 39 semanas de gestação, que realizou pré-natal na UBS sem registro de alterações significativas, exceto ganho de peso acima do esperado (30 kg desde a 6ª semana), foi trazida ao hospital em trabalho de parto ativo. Referiu perda vaginal líquida há 2 horas e contrações rítmicas e muito dolorosas. Os batimentos cardiofetais eram de 139 bpm. Ao exame especular, fluía líquido claro pelo orifício cervical externo; ao toque, a variedade de apresentação era cefálica, transversa, no plano -1, com 7 cm de dilatação. Por dificuldade de ausculta do bebê devido à obesidade, foi instalado MAP cujo traçado evidenciava variabilidade da linha de base < 5 bpm e desacelerações tardias recorrentes em mais da metade das contrações.
Pegadinha central: tardias recorrentes + variabilidade mínima é categoria II, não III, mas pode exigir parto rápido se persistir.
Categoria III exige variabilidade ausente.
Oxigênio materno não é rotina quando a saturação materna é normal.
Fórceps/vácuo não cabem com colo de 7 cm e cabeça em -1.
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Contexto
O traçado descrito apresenta variabilidade mínima, inferior a 5 bpm, associada a desacelerações tardias recorrentes em mais de 50% das contrações. Desaceleração tardia começa após o início da contração, tem nadir depois do pico da contração e recuperação após seu término, refletindo resposta fetal à redução transitória da troca uteroplacentária.
Pela classificação norte-americana, variabilidade mínima com desacelerações tardias recorrentes é um traçado categoria II, porque categoria III exige variabilidade ausente associada a desacelerações recorrentes, bradicardia ou padrão sinusoidal. Apesar de não ser categoria III, a combinação de tardias recorrentes com pouca variabilidade aumenta a preocupação com acidemia e exige medidas corretivas e reavaliação rápida.
A gestante está com 7 cm e apresentação no plano -1, portanto parto vaginal não é iminente e fórceps ou vácuo não são opções. Se o padrão persiste apesar das medidas iniciais, a alternativa capaz de resolver rapidamente é a cesariana.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Reposicionamento materno pode ser tentado, preferencialmente lateral, mas oxigênio não é recomendado rotineiramente em gestante normoxêmica. Além disso, essas medidas não substituem resolução se o padrão preocupante persistir.
B) Incorreta. Apenas analgesia e observação prolongam exposição fetal a possível hipoxemia sem abordar as desacelerações tardias recorrentes.
C) Incorreta. Parto vaginal operatório exige dilatação completa, condições fetais apropriadas e apresentação suficientemente baixa. Com 7 cm e plano -1, instrumentação é inadequada.
D) Correta (gabarito). Diante de desacelerações tardias recorrentes, variabilidade mínima e parto vaginal não iminente, a resolução por cesariana é a opção mais adequada se o padrão não se corrige prontamente.