Dengue e arboviroses

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Questão 27
HCPA · 2025

Gestante de 28 anos, G1P0, com 32 semanas de gestação, apresentou febre (38o C), calafrios, mialgia, astenia e dor retro-orbitária, quadro iniciado há 3 dias. No quarto dia, foram registradas hipotensão (pressão arterial de 80/50 mmHg), dor abdominal intensa, letargia e ascite. O hemograma indicou hemoglobina de 14,5 g/dl, hematócrito de 50%, leucócitos de 2.300/mm3, plaquetas de 70.000/mm3, AST de 35 U/l e creatinina de 0,9 mg/dl. Os batimentos cardiofetais estavam presentes (148 bpm).

Qual a conduta inicial mais adequada?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

A paciente apresenta dengue grave com choque por extravasamento plasmático. O momento é típico da fase crítica, no quarto dia de doença, e estão presentes hipotensão, letargia, dor abdominal intensa, ascite, plaquetopenia e hemoconcentração com hematócrito de 50%.

O Manual de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento da Dengue na Gestação e no Puerpério do Ministério da Saúde orienta que gestantes com sinais de choque sejam tratadas como Grupo D. A prioridade é expansão volêmica imediata com cristaloide isotônico, sem aguardar exames adicionais.

Na gestação, a reposição deve ser cuidadosa porque tanto hipovolemia quanto excesso de volume podem causar desfechos graves. Entretanto, diante de choque manifesto, não se deve retardar a primeira expansão.

Coloides, inclusive albumina, não são primeira escolha no primeiro minuto do atendimento. Podem ser considerados em choque persistente após cristaloides e análise do hematócrito. A interrupção da gestação não trata a fisiopatologia do choque por dengue e só deve ser considerada por indicação obstétrica ou deterioração materno-fetal após estabilização.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Ressonância e painel viral podem ser úteis em situações específicas, mas não podem preceder o tratamento de uma paciente com choque circulatório.

B) Correta (gabarito). A prioridade é expansão intravenosa imediata com soro fisiológico 0,9%, tipicamente 20 mL/kg em cerca de 20 minutos, seguida de reavaliação frequente.

C) Incorreta. Albumina ou outros expansores plasmáticos não são primeira linha antes de tentar expansão adequada com cristaloide e reavaliar a tendência do hematócrito.

D) Incorreta. Interromper a gestação não corrige a hipovolemia por extravasamento plasmático. Primeiro deve-se estabilizar a mãe, monitorar o feto e então definir condutas obstétricas conforme evolução.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: gestante com dengue e choque continua precisando de cristaloide imediato.

  • Dengue Grupo D: SF 0,9% 20 mL/kg em cerca de 20 minutos, com reavaliação frequente.

  • Hematócrito alto no choque sugere extravasamento plasmático; queda inesperada pode indicar sangramento.

  • Não mande paciente instável para exame de imagem antes de ressuscitar.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Dengue e arboviroses” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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