Gestante de 28 anos, G1P0, com 32 semanas de gestação, apresentou febre (38o C), calafrios, mialgia, astenia e dor retro-orbitária, quadro iniciado há 3 dias. No quarto dia, foram registradas hipotensão (pressão arterial de 80/50 mmHg), dor abdominal intensa, letargia e ascite. O hemograma indicou hemoglobina de 14,5 g/dl, hematócrito de 50%, leucócitos de 2.300/mm3, plaquetas de 70.000/mm3, AST de 35 U/l e creatinina de 0,9 mg/dl. Os batimentos cardiofetais estavam presentes (148 bpm).
Pegadinha central: gestante com dengue e choque continua precisando de cristaloide imediato.
Dengue Grupo D: SF 0,9% 20 mL/kg em cerca de 20 minutos, com reavaliação frequente.
Hematócrito alto no choque sugere extravasamento plasmático; queda inesperada pode indicar sangramento.
Não mande paciente instável para exame de imagem antes de ressuscitar.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
A paciente apresenta dengue grave com choque por extravasamento plasmático. O momento é típico da fase crítica, no quarto dia de doença, e estão presentes hipotensão, letargia, dor abdominal intensa, ascite, plaquetopenia e hemoconcentração com hematócrito de 50%.
O Manual de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento da Dengue na Gestação e no Puerpério do Ministério da Saúde orienta que gestantes com sinais de choque sejam tratadas como Grupo D. A prioridade é expansão volêmica imediata com cristaloide isotônico, sem aguardar exames adicionais.
Na gestação, a reposição deve ser cuidadosa porque tanto hipovolemia quanto excesso de volume podem causar desfechos graves. Entretanto, diante de choque manifesto, não se deve retardar a primeira expansão.
Coloides, inclusive albumina, não são primeira escolha no primeiro minuto do atendimento. Podem ser considerados em choque persistente após cristaloides e análise do hematócrito. A interrupção da gestação não trata a fisiopatologia do choque por dengue e só deve ser considerada por indicação obstétrica ou deterioração materno-fetal após estabilização.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Ressonância e painel viral podem ser úteis em situações específicas, mas não podem preceder o tratamento de uma paciente com choque circulatório.
B) Correta (gabarito). A prioridade é expansão intravenosa imediata com soro fisiológico 0,9%, tipicamente 20 mL/kg em cerca de 20 minutos, seguida de reavaliação frequente.
C) Incorreta. Albumina ou outros expansores plasmáticos não são primeira linha antes de tentar expansão adequada com cristaloide e reavaliar a tendência do hematócrito.
D) Incorreta. Interromper a gestação não corrige a hipovolemia por extravasamento plasmático. Primeiro deve-se estabilizar a mãe, monitorar o feto e então definir condutas obstétricas conforme evolução.