Aneurisma de aorta abdominal

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Questão 63
HCPA · 2025

Paciente masculino, de 70 anos, com hipertensão de longa data, apresentou quadro súbito de dor torácica retroesternal, de forte intensidade, tendo sido trazido à Emergência. À admissão, apresentava saturação de oxigênio de 96%. Foram realizados eletrocardiografia de repouso e raio X de tórax (imagens abaixo). O resultado da dosagem de troponina estava normal, e a dosagem de D-dímeros indicou 1.900 ng/ml (valor de referência: 500 ng/ml).

Figura da questão 63 da HCPA 2025
Figura da questão

Qual o provável diagnóstico e qual a investigação complementar?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

Dor torácica de início súbito e forte em homem de 70 anos com hipertensão de longa data deve levantar imediatamente a hipótese de síndrome aórtica aguda. O termo engloba dissecção aórtica, hematoma intramural e úlcera aterosclerótica penetrante.

A imagem da prova mostra taquicardia no ECG, sem padrão convincente de infarto com supra, e radiografia de tórax que pode sugerir alteração do contorno aórtico/mediastinal. A radiografia, entretanto, tem sensibilidade limitada e pode ser normal em dissecção. A Diretriz ESC de Doenças Aórticas de 2024 reforça que a confirmação depende de imagem específica da aorta.

Em paciente hemodinamicamente estável, a angiotomografia é o exame de escolha na maioria dos serviços porque é rápida e avalia luz verdadeira, luz falsa, hematoma, ramos arteriais, sinais de ruptura e extensão da doença. A avaliação deve cobrir a aorta torácica e abdominal, e frequentemente também o eixo iliofemoral.

O D-dímero de 1.900 ng/mL é elevado, mas é inespecífico e não confirma dissecção. Seu maior valor é o elevado valor preditivo negativo quando o risco pré-teste é baixo e o resultado é negativo. Troponina normal também não exclui síndrome aórtica.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). Idoso hipertenso com dor torácica súbita e intensa tem perfil típico para síndrome aórtica aguda. A angiotomografia de tórax e abdômen define presença e extensão da doença e orienta tratamento.

B) Incorreta. Síndrome coronariana é diagnóstico diferencial obrigatório, mas o padrão clínico e radiográfico favorece doença aórtica, e a troponina normal não sustenta infarto neste momento.

C) Incorreta. TEP pode causar dor e D-dímero elevado, mas angiografia pulmonar por cateter não é o exame diagnóstico inicial de escolha em paciente estável; atualmente utiliza-se angiotomografia pulmonar quando há suspeita apropriada.

D) Incorreta. Ruptura de aneurisma torácico é uma possibilidade dentro do espectro aórtico, porém o diagnóstico sindrômico mais adequado é síndrome aórtica aguda. Além disso, a avaliação deve determinar toda a extensão da aorta, não se limitar ao tórax.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: dor súbita intensa + hipertensão = pense em aorta antes de anticoagular ou trombolisar.

  • Radiografia normal não exclui dissecção.

  • D-dímero alto não fecha AAS; D-dímero baixo é mais útil para excluir em pacientes bem selecionados.

  • Paciente estável: angiotomografia é o exame de escolha para mapear toda a aorta.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Aneurisma de aorta abdominal” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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