Infecções congênitas (STORCH)

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Questão 3
HCPA · 2025

Recém-nascido com 7 dias de vida, internado por sífilis congênita, vinha recebendo tratamento com penicilina G cristalina desde o primeiro dia. Os exames laboratoriais revelaram VDRL sérico de 1:2, VDRL no líquor 1:2, líquor com proteínas totais de 69 mg/dl, 35 leucócitos/mm3 e glicose de 60 mg/dl. O raio X de ossos longos estava normal. A enfermagem informou que não conseguia mais acesso vascular intravenoso periférico na criança.

Segundo as diretrizes brasileiras para o manejo dessa condição, qual a conduta mais adequada para a finalização do tratamento?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O recém-nascido tem sífilis congênita com comprometimento do sistema nervoso central. O líquor apresenta VDRL reagente em 1:2 e 35 leucócitos/mm3. Para recém-nascidos, o Ministério da Saúde utiliza pleocitose acima de aproximadamente 25 leucócitos/mm3 como alteração compatível com neurossífilis, desde que a amostra não esteja contaminada por sangue.

Um detalhe importante é que a proteína liquórica de 69 mg/dL não está elevada para um recém-nascido pelo ponto de corte do Ministério da Saúde, que aceita valores abaixo de 150 mg/dL nessa faixa. Portanto, o diagnóstico de envolvimento neurológico não depende de hiperproteinorraquia neste caso: ele já é sustentado pelo VDRL liquórico reagente e pela pleocitose.

O PCDT brasileiro para prevenção da transmissão vertical de HIV, sífilis e hepatites virais recomenda, quando há neurossífilis congênita, benzilpenicilina potássica/cristalina intravenosa por 10 dias. Até 7 dias de vida, a dose usual é 50.000 UI/kg a cada 12 horas; após 7 dias, passa a cada 8 horas. Interrupção relevante do esquema pode obrigar seu reinício.

A perda do acesso venoso periférico não autoriza encerrar o tratamento nem trocar por um esquema inadequado. Deve-se garantir outro acesso venoso, inclusive central se necessário, para completar os 10 dias.

Alternativa por alternativa

A) Correta (gabarito). O líquor alterado caracteriza neurossífilis congênita e exige completar 10 dias de penicilina G cristalina intravenosa. Se não há mais acesso periférico viável, deve-se obter acesso venoso adequado para concluir o esquema.

B) Incorreta. O esquema neonatal para sífilis congênita é de 10 dias, não 14 dias. Quatorze dias é duração utilizada em outros cenários de neurossífilis no adulto, mas não é o regime neonatal da questão.

C) Incorreta. A penicilina procaína neonatal, quando utilizada, é administrada a cada 24 horas, não de 12/12 horas aos 7 dias de vida. Além disso, diante de líquor compatível com neurossífilis, a banca e o protocolo adotado priorizam penicilina cristalina intravenosa.

D) Incorreta. Além da posologia inadequada da procaína para essa idade, 14 dias não correspondem à duração recomendada do tratamento neonatal.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: VDRL liquórico reagente já pesa muito para neurossífilis; não precisa haver todas as alterações do líquor ao mesmo tempo.

  • No RN, proteína de 69 mg/dL não é hiperproteinorraquia pelo ponto de corte usado pelo MS.

  • Sífilis congênita com acometimento do SNC: penicilina cristalina IV por 10 dias.

  • Perdeu o acesso periférico, não perdeu a indicação do tratamento: providencie outro acesso e complete o esquema.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Infecções congênitas (STORCH)” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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