Lactente de 2 meses foi internado por quadro de obstrução nasal, conjuntivite, tosse paroxística, taquipneia e hipoxemia (saturação de hemoglobina por oximetria de pulso de 92%). À ausculta pulmonar, apresentava estertores crepitantes difusos. Não tivera episódios de febre. As vacinas estavam atualizadas. Radiografia de tórax mostrou hiperinsuflação com opacidades intersticiais peri-hilares. Leucograma revelou eosinofilia.
Pegadinha central: pneumonia afebril + conjuntivite + eosinofilia no lactente = Chlamydia.
Faixa típica: 1-3 meses.
Radiografia: hiperinsuflação com infiltrado intersticial bilateral.
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Contexto
O quadro é clássico de pneumonia por Chlamydia trachomatis no lactente jovem. Segundo as diretrizes de IST do CDC de 2021, a pneumonia por clamídia aparece tipicamente entre 1 e 3 meses, é subaguda e costuma cursar com tosse repetitiva, taquipneia, hiperinsuflação e infiltrado bilateral difuso, frequentemente sem febre.
Dois achados aumentam muito a especificidade clínica: conjuntivite, geralmente adquirida no parto, e eosinofilia periférica, frequentemente definida como pelo menos 400 eosinófilos/mm3. Estertores podem ocorrer, enquanto sibilância é menos característica.
Quando o diagnóstico é provável, o tratamento é sistêmico com macrolídeo. Regimes reconhecidos incluem azitromicina ou eritromicina; terapia tópica ocular isolada não trata a infecção respiratória.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Lactente de 2 meses, afebril, com conjuntivite, tosse, taquipneia, hiperinsuflação, infiltrado intersticial e eosinofilia apresenta o conjunto clássico de pneumonia por C. trachomatis.
B) Incorreta. Bronquiolite viral pode causar taquipneia, estertores e hiperinsuflação, mas conjuntivite associada e eosinofilia não são o padrão discriminador. VSR também costuma produzir sibilância mais proeminente.
C) Incorreta. Coqueluche pode causar tosse paroxística e apneia no lactente, porém o achado hematológico clássico é leucocitose com linfocitose, não eosinofilia.
D) Incorreta. Síndrome de Löffler associa eosinofilia a infiltrados pulmonares transitórios por migração larvária de helmintos, contexto epidemiológico e etário muito diferente.