Durante as inundações da região metropolitana de Porto Alegre, paciente masculino, de 70 anos, que havia ficado exposto à água por mais de 12 horas, apresentou parada cardiorrespiratória logo após ser resgatado. Foram iniciadas as manobras de ressuscitação conforme as recomendações da American Heart Association (AHA).
Pegadinha central: hipotermia protege o cérebro e pode justificar RCP muito prolongada durante o reaquecimento.
AHA 2025: ressuscitar e reaquecer simultaneamente; considerar ECLS na parada hipotérmica.
Não existe contraindicação absoluta à desfibrilação apenas porque o paciente está hipotérmico.
O antigo corte de 32 °C não deve ser usado sozinho para decidir quando encerrar RCP.
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Contexto
Hipotermia ambiental grave pode causar bradicardia, arritmias, redução extrema do metabolismo e parada cardiorrespiratória. O princípio clássico é que o paciente hipotérmico em parada pode sobreviver neurologicamente intacto mesmo após ressuscitação prolongada, pois a redução do metabolismo diminui a demanda de oxigênio dos tecidos.
As Diretrizes AHA de Ressuscitação de 2025 recomendam que adultos com hipotermia ambiental ameaçadora à vida, sem lesão obviamente letal, recebam medidas completas de ressuscitação imediatamente e que elas sejam continuadas em paralelo ao reaquecimento. Em parada por hipotermia, é razoável utilizar suporte extracorpóreo para reaquecimento quando disponível.
A alternativa D traduz o princípio cobrado pela prova de que não se deve interromper precocemente a reanimação de um paciente ainda profundamente hipotérmico. Há, porém, uma atualização importante: a AHA 2025 não estabelece temperatura acima de 32 °C como um único critério absoluto para decidir a interrupção. A decisão atual considera reaquecimento adequado, presença de lesões incompatíveis com a vida e prognóstico multimodal, podendo utilizar escores como HOPE.
A desfibrilação não é simplesmente contraindicada na hipotermia. Ritmos chocáveis devem receber tentativa de desfibrilação conforme o protocolo de ressuscitação, enquanto o paciente é reaquecido. A idade avançada também está associada a pior prognóstico e integra modelos modernos de estratificação.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. Hipotermia leve, estágio I, costuma cursar com tremores e preservação relativa da estabilidade cardiovascular. Arritmias graves e parada tornam-se mais prováveis em temperaturas centrais mais baixas.
B) Incorreta. Idade avançada influencia prognóstico e está associada a maior risco de complicações. Inclusive, a idade é componente do escore HOPE utilizado para estimar sobrevida em parada hipotérmica.
C) Incorreta. Desfibrilação não é proibida até o reaquecimento. Se houver fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso, deve-se tentar choque enquanto se realiza RCP e reaquecimento.
D) Correta (gabarito). A resposta preserva o princípio de que a ressuscitação do paciente profundamente hipotérmico não deve ser encerrada antes de adequado reaquecimento. A ressalva atual é que a AHA 2025 não utiliza o valor de 32 °C como critério isolado e obrigatório para interromper ou manter as manobras.