Infecção de sítio cirúrgico e sepse abdominal

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Questão 41
HCPA · 2025

Paciente feminina, de 45 anos, com diabetes melito tipo 2, submetida a colecistectomia laparoscópica há 10 dias, retornou ao Ambulatório referindo dor constante no local da incisão, vermelhidão e calor ao redor da ferida operatória. Ao exame, apresentava febre de 38,5o C, secreção purulenta no sítio cirúrgico, endurecimento e sinais inflamatórios ao redor da incisão. Hemograma evidenciou leucocitose com desvio à esquerda.

Qual a conduta mais adequada?
Explicação oficial do MedBoard

Contexto

O quadro é de infecção do sítio cirúrgico incisional com drenagem purulenta e resposta sistêmica. Dez dias após colecistectomia, a paciente apresenta dor persistente, eritema, calor, endurecimento, pus, febre de 38,5 °C e leucocitose com desvio. A presença de secreção purulenta pela incisão praticamente define infecção local e exige controle do foco.

A diretriz da Infectious Diseases Society of America para infecções de pele e partes moles recomenda, em infecção de sítio cirúrgico, abrir a ferida, remover suturas ou grampos quando necessário e realizar incisão e drenagem. Antibiótico sistêmico não é obrigatório em toda infecção superficial pequena, mas passa a ser indicado quando existem sinais sistêmicos relevantes. Entre os marcadores citados estão temperatura acima de 38,5 °C, frequência cardíaca acima de 110 bpm ou leucócitos acima de 12.000/mm3.

Como a operação envolveu o trato gastrointestinal, a escolha empírica deve considerar flora do sítio operado, gravidade e epidemiologia local. Em paciente diabética, a vigilância deve ser ainda mais rigorosa, mas o diabetes não substitui a necessidade de drenagem.

Ultrassonografia ou tomografia podem ser necessárias se houver suspeita de abscesso intra-abdominal, fístula biliar ou infecção profunda. Entretanto, a imagem não deve atrasar o tratamento de uma infecção incisional purulenta já evidente ao exame.

Alternativa por alternativa

A) Incorreta. Higiene local e observação são insuficientes diante de pus, febre e leucocitose. Aguardar 48 horas sem drenar o foco pode permitir progressão da infecção.

B) Correta (gabarito). A conduta combina o elemento essencial, controle do foco por abertura e drenagem, com antibioticoterapia empírica justificada pelos sinais sistêmicos de infecção.

C) Incorreta. Febre, secreção purulenta e leucocitose afastam uma simples reação inflamatória estéril. Analgésico e antitérmico tratariam sintomas, mas deixariam o foco infeccioso sem controle.

D) Incorreta. Imagem pode ser acrescentada se houver dúvida sobre extensão profunda, mas a infecção da ferida já é clinicamente evidente e não se deve postergar drenagem e antibiótico enquanto se aguarda ultrassonografia.

Bizu MedBoard
  • Pegadinha central: pus em ferida operatória pede drenagem; antibiótico sozinho não substitui controle de foco.

  • Antibiótico sistêmico ganha importância quando há febre, taquicardia, leucocitose ou celulite extensa.

  • Diabetes aumenta risco de infecção e complicações, mas não muda o princípio básico: abrir, drenar e tratar conforme gravidade.

  • Imagem entra se houver suspeita de coleção profunda ou infecção de órgão/espaço, sem atrasar a conduta local evidente.

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Bia
Essa você viu resolvida 😊 Mas “Infecção de sítio cirúrgico e sepse abdominal” não cai uma vez só: tem muitas outras questões desse mesmo tema esperando você aqui, todas comentadas assim.
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