Paciente feminina, de 34 anos, teve diagnóstico confirmado de fissura anal de localização anterior, com evolução de 8 semanas.
Pegadinha central: anterior mediana pode ser típica; lateral é que acende alerta.
ASCRS 2023: diltiazem e nifedipino tópicos são excelentes opções de primeira linha na fissura crônica.
O alvo do tratamento é quebrar o ciclo dor, espasmo e isquemia.
Fissura não é sinônimo de constipação; diarreia também pode provocar trauma.
A prova que você vai prestar tem cara própria. Tem tema que cai todo ano e tema que nunca apareceu, e decidir isso no improviso custa as semanas que você não tem.
O MedBoard começa pelo outro lado. Ele pesa cada tema pela banca que você vai prestar, monta o cronograma a partir disso e guarda o que você errou para devolver na hora certa.
Criar conta grátis
Contexto
Uma fissura anal com 8 semanas de evolução está no limite usado para caracterizar fissura crônica, especialmente quando existem sinais morfológicos como papila anal hipertrófica, plicoma sentinela ou exposição de fibras do esfíncter interno. A ASCRS Clinical Practice Guideline de 2023 considera relaxamento farmacológico do esfíncter parte importante do manejo não operatório da fissura crônica.
A fisiopatologia típica envolve trauma do anodermo, frequentemente por fezes endurecidas, seguido de espasmo do esfíncter anal interno, aumento da pressão de repouso e redução do fluxo sanguíneo local. Isso cria um ciclo de dor, espasmo e isquemia que dificulta cicatrização.
Localização anterior na linha média não torna a fissura automaticamente atípica. A maioria ocorre posteriormente, mas fissuras anteriores são reconhecidas, sobretudo em mulheres. O que deve levantar suspeita de Crohn, infecção, neoplasia ou outra doença secundária são fissuras laterais, múltiplas, indolores ou de difícil cicatrização.
Constipação é causa frequente, mas diarreia e trauma também podem precipitar fissura. Portanto, não se pode concluir que toda paciente com fissura necessariamente seja constipada.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O tempo de 8 semanas é compatível com fissura crônica, sobretudo quando comparado ao padrão de lesão recente que costuma cicatrizar em poucas semanas com medidas conservadoras.
B) Incorreta. A comissura posterior é realmente a localização mais comum, mas fissura anterior mediana isolada pode ser típica. O achado preocupante é fissura lateral ou múltipla.
C) Incorreta. Constipação é fator precipitante frequente, mas não é obrigatória. Diarreia ou outros traumas do canal anal também podem causar fissuras.
D) Correta (gabarito). Bloqueadores de canal de cálcio tópicos, como diltiazem ou nifedipino, promovem relaxamento do esfíncter interno e são considerados terapia farmacológica de primeira linha para fissura crônica, com menos cefaleia que nitratos.