Pegadinha central: a prova marcou cirurgia, mas hoje cirurgia não é obrigatória para toda ruptura do Aquiles.
Ruptura típica: 2-6 cm acima da inserção calcânea.
Tratamento não operatório moderno exige protocolo funcional bem estruturado.
Cirurgia reduz rerruptura em alguns cenários, mas cobra o preço de complicações de ferida e nervo sural.
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Contexto
A ruptura aguda do tendão calcâneo ocorre tipicamente em adultos de meia-idade durante aceleração, salto ou mudança brusca de direção. A ruptura costuma ocorrer na porção média do tendão, aproximadamente 2 a 6 cm proximal à inserção no calcâneo, área de menor vascularização relativa, e não na junção miotendínea.
O tratamento evoluiu nas últimas décadas. O Position Statement da American Orthopaedic Foot & Ankle Society de 2024 reconhece que tanto tratamento operatório quanto não operatório são apropriados em pacientes selecionados, especialmente quando protocolos modernos de reabilitação funcional precoce são utilizados. A cirurgia tende a reduzir o risco de nova ruptura, mas aumenta complicações de ferida, infecção e lesão nervosa.
Portanto, a alternativa C reflete a visão tradicional que privilegiava reparo cirúrgico, especialmente em pacientes jovens e muito ativos. A prática atual não sustenta que toda ruptura aguda geralmente exija cirurgia. O gabarito é mantido porque é o oficial da prova, mas essa divergência deve ser conhecida.
O exame clínico costuma mostrar falha palpável, perda de força de flexão plantar e teste de Thompson positivo. Ultrassonografia ou ressonância são úteis quando o diagnóstico é duvidoso ou quando a anatomia da lesão precisa ser melhor definida.
Alternativa por alternativa
A) Incorreta. O perfil clássico é homem de meia-idade fisicamente ativo, e não predominantemente mulheres acima de 60 anos.
B) Incorreta. A localização mais comum é a porção média do tendão, alguns centímetros proximal à inserção calcânea. Ruptura na junção miotendínea é menos comum.
C) Correta (gabarito). Esta é a resposta considerada correta pela prova, refletindo a preferência tradicional por reparo cirúrgico, sobretudo em pacientes ativos. A atualização importante é que a AOFAS 2024 considera também o tratamento funcional não operatório uma opção válida, e a decisão deve ser compartilhada.
D) Incorreta. Complicações de pele e ferida não são raras após cirurgia aberta. Deiscência, infecção, necrose cutânea e lesão do nervo sural são riscos conhecidos.