Paciente negro, de 66 anos, procurou o acolhimento da UBS por dificuldade para falar e mexer o lado direito do corpo, quadro iniciado há 1 hora. Informou ser hipertenso e fazer uso de losartana (50 mg/dia). Ao exame físico, apresentava pressão arterial de 180/105 mmHg, frequência cardíaca de 100 bpm, SaO2 de 98%; 3 testes alterados pela Escala Pré-hospitalar de Cincinnati e 15 pontos pela Escala de Glasgow.
Pegadinha central: no AVC em janela terapêutica, tempo é cérebro; não atrase transferência para baixar uma PA de 180/105 mmHg.
Cheque glicemia, mas só administre glicose se houver hipoglicemia.
Para trombólise IV, a PA deve estar abaixo de 185/110 mmHg antes do tratamento.
O destino deve ser hospital com protocolo de AVC e capacidade de reperfusão.
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Contexto
Afasia e hemiparesia direita de início súbito há 1 hora configuram suspeita de AVC agudo em plena janela de reperfusão. Na atenção pré-hospitalar ou na UBS, a prioridade é reconhecer rapidamente o quadro, determinar o horário de início ou último momento bem e encaminhar sem demora para hospital com capacidade de neuroimagem e tratamento de reperfusão.
A Diretriz AHA/ASA de AVC Isquêmico Agudo de 2026 reforça a organização pré-hospitalar para levar o paciente ao serviço apropriado no menor tempo possível. A glicemia capilar deve ser verificada porque hipoglicemia pode simular AVC, mas glicose só deve ser administrada quando há hipoglicemia. O Ministério da Saúde utiliza PA 185/110 mmHg como limite necessário antes da trombólise intravenosa. A pressão do caso, 180/105 mmHg, está abaixo desse limiar e não justifica redução empírica imediata com captopril.
Reduzir agressivamente a pressão na fase hiperaguda pode diminuir a perfusão da penumbra cerebral. Quando o paciente é candidato a trombólise e a PA ultrapassa 185/110 mmHg, o controle deve ser realizado com medicamentos intravenosos tituláveis em ambiente apropriado.
Alternativa por alternativa
A) Correta (gabarito). Acesso venoso periférico pode ser obtido sem atrasar o atendimento, preferencialmente preservando o membro parético para avaliação e cuidado, e o SAMU deve regular o paciente diretamente para emergência hospitalar com protocolo de AVC.
B) Incorreta. A glicemia deve ser checada, mas glicose não é administrada se o valor for > 70 mg/dl. Além disso, um paciente potencialmente candidato a reperfusão deve ser direcionado a serviço hospitalar apropriado, não simplesmente à UPA mais próxima.
C) Incorreta. O erro decisivo é o destino inadequado. O transporte deve priorizar serviço capaz de realizar neuroimagem e reperfusão. O posicionamento da cabeceira é individualizado conforme oxigenação, risco de aspiração e condições clínicas.
D) Incorreta. PA de 180/105 mmHg não exige captopril oral antes da avaliação hospitalar e já está abaixo do limite de 185/110 mmHg usado para elegibilidade à trombólise. Redução não controlada pode prejudicar a perfusão cerebral.